- A Pesquisa Internacional sobre Ensino e Aprendizagem (Talis) 2024 revela que professores no Brasil perdem 21% do tempo de aula para manter a disciplina, um aumento em relação a 2018, quando a perda era de 19%.
- Quarenta e quatro por cento dos docentes relatam interrupções frequentes, superando a média de dezoito por cento da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
- O estresse no trabalho é uma preocupação, com vinte e um por cento dos professores afirmando que a profissão é muito estressante, em comparação a dezenove por cento na média da OCDE.
- A saúde mental dos professores brasileiros é mais afetada, com dezesseis por cento relatando impactos negativos, enquanto na OCDE esse número é de dez por cento. Quanto à saúde física, doze por cento mencionam efeitos negativos, contra oito por cento na OCDE.
- Apenas quatorze por cento dos professores se sentem valorizados na sociedade, embora esse número tenha aumentado em três pontos percentuais desde 2018, ainda abaixo da média da OCDE, que é de vinte e dois por cento. Apesar dos desafios, oitenta e sete por cento dos professores estão satisfeitos com a profissão.
No Brasil, professores perdem 21% do tempo de aula para manter a disciplina, conforme aponta a Pesquisa Internacional sobre Ensino e Aprendizagem (Talis) 2024. O estudo, divulgado nesta segunda-feira (6) pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), revela que a cada cinco horas de aula, uma hora é dedicada a questões de ordem. Este percentual representa um aumento em relação a 2018, quando a perda era de 19%.
Além disso, 44% dos docentes relatam interrupções frequentes por parte dos alunos, um número que supera a média da OCDE, que é de 18%. O aumento na dificuldade de manter a ordem em sala de aula se reflete também no estresse enfrentado pelos professores brasileiros, com 21% afirmando que o trabalho é muito estressante, comparado a 19% na média da OCDE.
Impactos na Saúde
Os dados da Talis 2024 indicam que a saúde mental e física dos professores no Brasil é mais afetada do que a média dos países da OCDE. Cerca de 16% dos professores brasileiros afirmam que a profissão impacta negativamente sua saúde mental, em contraste com 10% na OCDE. Em relação à saúde física, 12% mencionam efeitos negativos, enquanto a média da OCDE é de 8%.
A pesquisa também destaca a percepção de valorização dos docentes. Apenas 14% dos professores acreditam que são valorizados na sociedade, um aumento de 3 pontos percentuais desde 2018, mas ainda abaixo da média da OCDE, que é de 22%. Apesar desse cenário desafiador, 87% dos professores no Brasil se dizem satisfeitos com a profissão, um número que se manteve estável desde o último levantamento.
A Talis 2024 foi realizada entre junho e julho deste ano e envolveu entrevistas com professores e diretores, principalmente dos anos finais do ensino fundamental. Os dados foram coletados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) em colaboração com as secretarias de educação das 27 Unidades Federativas.
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