- Neste Dia dos Professores, destaca-se a importância da profissão na formação de profissionais para o mercado de trabalho.
- A inteligência artificial (IA) se tornou uma ferramenta comum nas salas de aula, com 29% dos jovens usando-a diariamente e 42% semanalmente, segundo a Associação Brasileira de Mantenedoras do Ensino Superior (ABMES).
- A pesquisa TIC Educação revela que sete em cada dez estudantes do Ensino Médio utilizam IA generativa para pesquisas escolares, o que pode prejudicar a aquisição de conhecimento.
- Professores também usam IA, mas 64% se sentem despreparados para utilizá-la, e muitos afirmam que as escolas não oferecem suporte adequado.
- O professor Rogério Pereira destaca a necessidade de conscientização sobre o uso ético da IA e sugere que a adaptação a essas tecnologias pode enriquecer o ensino e melhorar a aprendizagem dos alunos.
Neste dia dos professores, comemoramos a profissão que cria profissionais, que ensina e capacita aqueles para o mercado de trabalho. Uma das profissões mais antigas, onde sem ela, dificilmente as outras existiriam.
Porém, atualmente, este trabalho tão importante tem uma enorme pedra em seu sapato, que parece crescer a cada dia mais. O que no início parecia uma grande inovação, mas que agora, já se instala dentro das salas de aula e faz com que diariamente os professores tenham que se reinventar na forma que ensinam os alunos: a inteligência artificial
A inteligência artificial na sala de aula
Segundo uma pesquisa da Associação Brasileira de Mantenedoras do Ensino Superior (ABMES), 29% dos jovens estudantes entrevistados usam IA diariamente nos estudos, enquanto 42% a utilizam semanalmente.
Já dados da 15ª edição da pesquisa TIC Educação mostram que sete em cada dez estudantes do Ensino Médio utilizam IA generativa para realizar pesquisas escolares.
Por isso, é inegável que a inteligência artificial está cada vez mais presente na sala de aula. Imagine um trabalho de pesquisa e redação, por exemplo, onde um aluno deva pesquisar e escrever sobre um assunto específico.
Com apenas alguns prompts, a IA pode não apenas escrever todo o texto, mas também fazer uma varredura pela internet para buscar informações, redirecionando o trabalho do aluno para um robô e tirando o principal papel do exercício: o conhecimento para o aluno.
Uma das principais consequências é que a IA pode “alucinar”, ou seja, gerar informações falsas, o que deslegitima o trabalho do aluno e evidencia que o conhecimento não foi realmente adquirido.
Porém, os professores também representam uma grande parte dos usuários da ferramenta. Segundo uma pesquisa da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), mais da metade deles usa IA generativa em seu trabalho.
Mesmo com esse alto índice de uso, muitos professores ainda não se consideram qualificados para utilizar a ferramenta. A pesquisa aponta que 64% deles afirmam não ter o conhecimento necessário para usar IA generativa, e seis em cada dez dizem que a escola não oferece estrutura suficiente para lidar com essa tecnologia.
Os principais desafios encontrados com IA na sala de aula
Os profissionais da educação enfrentam cada vez mais desafios com a chegada da IA às salas de aula, segundo o professor Rogério Pereira, da Prepara IA, em entrevista ao Portal Tela.
Ele destacou que um dos principais pontos é a conscientização dos alunos sobre o uso ético da IA, pois muitas vezes eles utilizam a ferramenta não apenas em sala de aula, mas também em outros ambientes de forma inadequada.
*“O contato direto com o aluno existe aqui, mas em outros lugares ele pode usar a ferramenta de maneira que não é tão benéfica para ele”*, explica o professor. *“Essa conscientização, quando conseguimos promovê-la, permite perceber até o tipo de resposta ou pergunta que o aluno faz, mostrando se ele está apenas pesquisando ou realmente se aprofundando no assunto”*, concluiu.
Outro desafio apontado é a dificuldade em distinguir trabalhos produzidos pelos alunos daqueles gerados inteiramente por IA.
*“De fato, é complicado identificar se o conteúdo é produzido por IA ou não. O que costumo fazer é uma pesquisa prévia sobre o tema abordado em aula para conferir se as primeiras informações batem com o que aparece em ferramentas como o Gemini”*, explicou o professor. *“Não é simples, mas existem estratégias que podemos usar como alternativa para lidar com isso”*, concluiu.
Como contornar essa situação?
Um dos principais pontos destacados pelo professor é que barrar a inteligência artificial é praticamente impossível. Por isso, o mais importante é se adaptar à tecnologia presente na sociedade e na sala de aula e trabalhar a partir disso.
*“Se você se adapta a essas novas ferramentas, pode usá-las a favor do seu conteúdo, do seu ensino, e aproveitar recursos que realmente colaboram com o aprendizado em sala de aula”*, afirmou.
Essa adaptação abre novas formas de ensinar, e permite usar a IA de maneira ética para criar materiais, planejar aulas e gerar benefícios tanto para alunos quanto para professores.
*“Há também a questão de criar materiais didáticos para estimular os alunos com dinâmicas um pouco diferente diferentes ali em sala de aula, ajudando também na pesquisa.”*, acrescentou.
O professor também destaca que, em casos de plágio envolvendo IA, orienta os alunos a seguir outro caminho.
*“Infelizmente, lidamos com muitos casos de plágio. Como professor, sempre procuro orientar o aluno: ‘Vamos nos aprofundar mais no assunto, conferir as fontes e verificar se as informações estão corretas’”*, explicou.
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