- Trinity Hall, da Universidade de Cambridge, passou a buscar candidaturas de escolas privadas elite para cursos como línguas, música, história da arte, clássicos e teologia.
- Críticos, entre eles o ex-porta-voz Alastair Campbell e o 93% Club, classificam a medida como imoral, ofensiva e um retrocesso na mobilidade social.
- O Sutton Trust pediu a reversão da política, ressaltando que estudantes de escolas públicas já estão sub-representados em várias áreas.
- A reitoria de Trinity Hall, liderada pela mestre Mary Hockaday, afirmou que não houve mudança na política de admissão e que a instituição ampliará listas de e-mails para atrair talentos de todas as origens.
- Grupos, estudantes e especialistas questionam a necessidade de incentivar especificamente escolas privadas, sugerindo que recursos sejam usados para identificar talentos em comunidades menos favorecidas.
Trinity Hall, faculdade da Universidade de Cambridge, enfrenta críticas de ex-alunos, campanhas de mobilidade social e entidades de educação após anunciar uma política de recrutamento voltada a escolas privadas selecionadas com o objetivo de diversificar o perfil dos calouros. A medida, que envolve abordagem a cursos como línguas, música, história da arte, clássicas e teologia, foi apresentada no fim do ano passado por meio de um briefing interno. A intenção alegada é melhorar a qualidade das adesões sem abandonar o foco na participação de estudantes de origem estatal.
Graduados e organizações de mobilidade social disseram que a política pode reverter avanços já obtidos e agravar desigualdades. Ex-diretor de comunicações do governo de Tony Blair, Alastair Campbell, afirmou que a ideia de ignorar ou marginalizar alunos de escolas privadas de alto nível sinaliza um afastamento da realidade de uma instituição acadêmica de elite. O grupo 93% Club, que representa estudantes provenientes de escola pública, informou que apoiará ações dos alumni e pode interromper doações até que a política seja revista.
Reação e contexto
A campanha para reverter a política recebeu apoio do Sutton Trust, instituição que trabalha pela mobilidade educacional. O diretor-executivo Nick Harrison ressaltou que estudantes de escolas públicas não devem ser ignorados em nenhuma área de estudo, destacando que alunos de escolas privadas já estão superrepresentados em muitos cursos. Dados citados incluem a baixa probabilidade de alunos elegíveis a refeições escolares irem para a universidade comparados a pares mais favorecidos, além de lacunas de acesso persistentes nas instituições mais seletivas.
Alumni de Trinity Hall manifestaram-se nas redes e por meio de contatos oficiais, com alguns dizendo que não abrirão campanhas de arrecadação enquanto a política estiver vigente. Mary Hockaday, mestre da instituição, afirmou por e-mail que não houve mudança na política de admissão nem no compromisso com a inclusão, esclarecendo que a atuação envolve ampliar a lista de escolas para recebimento de convites, sem alterar o conjunto de admissões.
Outros críticos questionaram a necessidade de incentivar candidaturas de escolas privadas, lembrando a existência de inúmeras escolas públicas com potencial. Peritos acadêmicos destacaram que, se há oferta insuficiente de candidatos qualificados em determinadas áreas, a estratégia poderia passar por ajustar a oferta educativa ou ampliar a divulgação de oportunidades para todo o espectro escolar, sem favorecer um grupo específico.
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