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São Paulo corta a EJA enquanto milhões ainda não sabem ler

São Paulo reduz a oferta da Educação de Jovens e Adultos, com queda de 52% nas matrículas entre 2021 e 2025, ampliando o analfabetismo funcional

Jovelina e Marinalva: duas histórias de alfabetização tardia que desafiam o esvaziamento da EJA em São Paulo (Foto: Lola Magalhãez/CartaCapital)
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  • Entre junho de 2021 e junho de 2025, as matrículas da EJA na cidade caíram 52%, de 39.720 para 18.801 estudantes.
  • Em outubro de 2025, a rede municipal tinha 16.986 matrículas na EJA, 16% a menos que no ano anterior.
  • Na rede estadual, entre 2011 e 2020 houve queda de 54% na oferta de EJA; entre 2020 e 2023, 85.515 matrículas presenciais deixaram de existir (queda de 61,9%).
  • No estado de São Paulo, cerca de 830 mil pessoas com 15 anos ou mais não sabem ler nem escrever um bilhete simples, o que representa 8,06% do analfabetismo do país.
  • Para 2026, a previsão é iniciar o ano com apenas 18 turmas de EJA na região da Brasilândia, com supressão do primeiro módulo (alfabetização), dificultando o ingresso de adultos analfabetos.

A cidade de São Paulo reduziu drasticamente a oferta de Educação de Jovens e Adultos (EJA) na rede pública, enquanto milhões ainda enfrentam dificuldades de alfabetização. Dados oficiais mostram queda persistente desde 2021, impactando especialmente quem não concluiu a educação básica na idade adequada.

Casos como os de Jovelina Pereira da Silva, 67, que recebeu o diploma do Ensino Fundamental após 65 anos, e Marinalva Rodrigues de Souza, 65, que concluiu o ensino na Brasilândia, ilustram conquistas individuais diante do recuo da modalidade. Ambos estudaram em unidades ligadas à Prefeitura.

A queda das matrículas na capital é acentuada. Entre 2021 e 2025, o total saltou de 39.720 para 18.801, uma redução de 52%. Em outubro de 2025, o número chegou a 16.986, 16% a menos que no ano anterior. Esses números contrastam com a demanda expressiva de alfabetização.

Oferta de vagas: teoria x prática

A Prefeitura divulgou abertura de matrículas para 2026, afirmando que 185 unidades ofertam EJA. Contudo, a reportagem verificou que, na região Freguesia/Brasilândia, apenas três escolas manterão a modalidade no próximo ano, e o Cieja Professora Rose Mary Frasson será o equipamento com organização pedagógica específica.

Ao mesmo tempo, houve descontinuação de várias unidades entre 2023 e 2024. Em 2026, a previsão é iniciar com 18 turmas, metade das 36 existentes há dois anos, com a retirada do primeiro módulo da EJA em várias escolas, dificultando o ingresso de adultos ainda não alfabetizados.

Especialistas destacam que esse recuo impede o acesso amplo à alfabetização. Pesquisadores apontam que sem oferta territorializada e turmas menores, a EJA tende a reduzir-se a uma certificação rápida, sem assegurar o direito à educação básica.

Realidade na rede estadual

Entre 2020 e 2023, a Rede Estadual extinguiu 1.945 turmas de EJA (–45,8%), com 289 escolas deixando de ofertar a modalidade. Mesmo com demanda potencial, estimada pelo IBGE em 2,77 milhões de analfabetos funcionais em 2022, o cenário aponta para redução de vagas e de oferta.

Especialistas críticos destacam a falta de metas claras e de acompanhamento, bem como a concentração de vagas em poucas escolas. A defesa é de uma EJA maior investimento, articulada a financiamento estável e ações de busca ativa para atender a uma demanda social expressiva.

O que dizem os governos

O governo estadual informou que atende cerca de 110 mil alunos na EJA, com reestruturação para atender o perfil demográfico atual. A oferta é de 651 escolas, com 588 presenciais e 63 no modelo flexível, com planos de ampliar para 88 novas unidades em 2026 e 100 novas turmas no modelo flexível.

A Prefeitura destacou que a abertura de turmas ocorre conforme a necessidade, com atendimento integral à demanda, citando programas como MOVA e Centros Municipais de Capacitação. Também comentou a queda de matrículas como consequência da obrigatoriedade escolar aos 4 anos.

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