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Rede social não é descanso; é ceder autonomia ao algoritmo, diz escritor

Autor critica a economia da atenção e defende santuários de atenção como saída coletiva para frear o domínio das big techs

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  • O escritor Peter Schmidt, em entrevista ao Estadão, afirma que redes sociais capturam a nossa atenção para lucrar com publicidade, por meio de algoritmos e feeds infinitos.
  • O livro Attensity! propõe recuperar o controle coletivo da atenção como bem comum, defendendo espaços livres de distrações digitais chamados “santuários de atenção”.
  • A ideia é valorizar atividades presenciais e experiências culturais, como teatro, dança e encontros, para fortalecer a vida em comunidade.
  • A visão é de que a atenção é medida de forma militar e explorada pelas big techs para maximizar o tempo nas telas; a solução passa por reconstruir a infraestrutura social, cultural e política.
  • Schmidt diz que o Brasil tem resistido melhor às pressões das big techs, citando exemplos como leis e ações governamentais que limitam esse poder.

Peter Schmidt, escritor e ativista, afirma que redes sociais não são descanso, mas cedem autonomia ao algoritmo que molda a vida. Em entrevista ao Estadão, ele apresenta o movimento Attensity e o livro Attensity! A Manifesto of the Attention Liberation Movement.

Segundo Schmidt, a atenção é explorada pela economia da atenção, que transforma o tempo gasto nas telas em dados para lucro com publicidade. O autor diz que a experiência humana está sendo majoritariamente moldada pelas redes, favorecendo a desinformação e irritação deliberada.

O movimento Friends of Attention, que ele integra, não combate a tecnologia em si, mas o modelo de negócio que mede e monetiza a atenção. A proposta é recuperar o controle coletivo sobre esse recurso, tratá-lo como bem comum e promover espaços de convivência sem lógicas de destaque econômico.

Santuários da Atenção

Schmidt descreve os “santuários de atenção” como espaços protegidos da lógica da economia digital. Podem ser igrejas, escolas, museus ou até a mesa de jantar, desde que haja compartilhamento voluntário da atenção entre presentes. O objetivo é incentivar presença e experiências culturais.

O escritor destaca que descanso real vem de práticas coletivas, não do scrolling contínuo. Ele defende que os ambientes comunitários ajudam a reconstruir infraestrutura social, cultural e política, menos orientada para lucros das grandes empresas.

Brasil como exemplo

O Brasil é citado como país que resistiu, segundo o entrevistado, às pressões de grandes plataformas. A ausência de adoções amplas de plataformas estrangeiras e iniciativas nacionais são apontadas como fatores de defesa da democracia frente à monetização da atenção.

Schmidt enfatiza que a solução passa por ações conjuntas entre público, academia e cultura. O grupo Amigos da Atenção surgiu na Bienal de São Paulo de 2018, em meio a debates sobre atenção e política, conforme ele relata.

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