- Entre janeiro de 2023 e julho de 2025, foram registradas 2.228 interrupções no transporte da cidade, afetando cerca de 190 mil estudantes da rede municipal.
- Ao todo, 188.694 crianças e adolescentes tiveram o trajeto para a escola prejudicado pela violência armada no Rio de Janeiro.
- Os maiores registros ocorreram nos bairros Penha (633), Bangu (175) e Jacarepaguá (161); a Penha chegou a 176 dias sem circulação de transporte público.
- A duração média por interrupção foi de sete horas; em um quarto dos casos, passou de 11 horas; em dias de aula, a média sobe para 8 horas e 13 minutos, com mais da metade dos episódios acima de quatro horas.
- Cerca de 3.825 de 4.008 escolas municipais registraram ao menos uma interrupção na proximidade; 72,5% das matrículas estão em escolas de menor risco, enquanto 25,8% estão em risco Moderado, Alto ou Muito Alto.
O tema central do estudo apresentado nesta quinta-feira envolve o impacto da violência armada na mobilidade de crianças e adolescentes da rede municipal de educação do Rio de Janeiro. Entre janeiro de 2023 e julho de 2025, o transporte público da cidade registrou 2.228 interrupções, que afetaram o trajeto de casa para a escola de cerca de 190 mil estudantes. Ao todo, 188.694 alunos foram prejudicados por ocorrências no caminho até a escola.
O levantamento, produzido pelo Unicef, Instituto Fogo Cruzado e Geni/UFF, reúne dados de vários sistemas de monitoramento, incluindo ônibus, trens, metrô e BRT. A análise mostra que a violência armada tornou o deslocamento diário imprevisível em parte da cidade, agravando desigualdades já existentes e dificultando o acesso à educação.
O estudo aponta que as interrupções, embora disseminadas, concentram-se em territórios específicos. A cidade registra movimentos com duração média de sete horas por episódio, sendo que quase um quarto das ocorrências ultrapassou 11 horas. Em dias letivos, a duração média sobe para 8 horas e 13 minutos, prejudicando principalmente quem precisa chegar às aulas.
Desigualdade territorial na mobilidade
A distribuição dos eventos não é uniforme. Bairros da Penha, Bangu e Jacarepaguá aparecem entre os principais epicentros, com a Penha registrando o maior acúmulo de tempo sem circulação — até 176 dias. A análise classifica as escolas da rede municipal em níveis de risco de acordo com a frequência e intensidade das interrupções em seu entorno.
Embora 72,5% das matrículas estejam em escolas de menor risco, 25,8% correspondem a unidades com risco Moderado, Alto ou Muito Alto. Entre as 4.008 escolas ativas em 2024, 3.825 enfrentaram ao menos uma interrupção no transporte durante o período analisado.
Impacto nas escolas e respostas institucionais
A maior parte das matrículas está em escolas com menor risco, mas um contingente relevante está sujeito a interrupções recorrentes. Apenas 120 unidades (2,9%) foram classificadas como de risco Alto ou Muito Alto, com a maior concentração na zona Norte.
As instituições destacam a necessidade de ações imediatas, como monitoramento em tempo real, planos de continuidade da mobilidade e fortalecimento da governança intersetorial. Também enfatizam a importância de manter a continuidade educacional e oferecer suporte psicossocial em áreas mais atingidas.
A Secretaria Municipal de Educação informou que, em 2025, 590 escolas foram fechadas pelo menos uma vez devido a operações policiais ou confrontos. A pasta detalha estratégias de reforço escolar, aulões, videoaulas e planos de recuperação adaptados a cada comunidade, além de parcerias para reduzir riscos mediante o Programa Acesso em áreas impactadas.
O governo estadual afirmou que não comete avaliações sobre a metodologia do estudo e ressaltou a continuidade de ações como a Operação Barricada Zero, que visa liberar vias bloqueadas e assegurar circulação em várias regiões, mantendo comunicação com as redes de educação sempre que operações são realizadas.
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