- Pesquisas apontam que crianças com Transtorno do Espectro Autista podem ter até 160 vezes mais chances de morrer afogadas do que crianças neurotípicas.
- Caso em Marília, no interior de São Paulo, envolve um menino autista de 13 anos encontrado no Centro de Tratamento de Esgoto, com indícios de afogamento.
- Especialistas explicam que fatores sensoriais, comportamentais e a forma como a criança interage com o ambiente aumentam a vulnerabilidade.
- A dificuldade de comunicação, especialmente em crianças não verbais, agrava o risco porque é mais difícil pedir ajuda ou sinalizar perigo.
- Recomenda-se prevenção coletiva: barreiras físicas, sinalização adequada, ambientes seguros e intervenções terapêuticas, como a psicomotricidade aquática, para reduzir riscos.
O caso de um menino autista de 13 anos, encontrado no Centro de Tratamento de Esgoto Barbosa, em Marília (SP), com indícios de afogamento, reacendeu o debate sobre a vulnerabilidade de crianças com TEA frente à água. A polícia investiga as circunstâncias do episódio, que ganhou repercussão nacional.
Estudos internacionais indicam que crianças com Transtorno do Espectro Autista podem ter até 160 vezes mais chances de morrer afogadas que crianças neurotípicas. A análise publicada pelo American Journal of Public Health aponta o afogamento como uma das principais causas externas de morte na infância.
A interação de crianças autistas com o ambiente
Especialistas destacam que fatores sensoriais, percepção de risco e comportamento influenciam a exposição a riscos aquáticos. A dificuldade de reconhecer limites do ambiente aumenta a chance de fuga ou exploração perto de água, como piscinas e rios.
Para muitos autistas, a água é um estímulo sensorial atraente. Brilho, movimento e som podem tornar o ambiente particularmente envolvente, o que interfere na avaliação de risco. Essa interpretação diverge da percepção de segurança comum entre crianças neurotípicas.
Dificuldade de comunicação e não generalizações
A criança do episódio era não verbal, o que agrava a situação ao reduzir a capacidade de pedir ajuda ou responder a chamados. Profissionais ressaltam que nem todas as crianças autistas têm atração pela água, e o comportamento varia amplamente entre os indivíduos.
Especialistas destacam que a impulsividade não é uniforme; algumas crianças podem ser mais cautelosas. O acompanhamento individualizado e a orientação adequada são fundamentais para reduzir riscos.
Supervisão em nível coletivo
A prevenção precisa ser constante e articulada entre famílias, escolas e comunidades. Supervisão próxima de ambientes com água é essencial, mas a responsabilidade não pode recair apenas sobre as famílias.
Especialistas defendem o uso de barreiras físicas, sinalização clara e ambientes seguros. Intervenções terapêuticas, como a fisioterapia psicomotora aquática, ajudam a desenvolver autonomia, consciência corporal e estratégias de sobrevivência no meio líquido.
A discussão transcende o caso específico e aponta para a necessidade de ampliar o olhar sobre o autismo, integrando segurança e inclusão desde a infância, especialmente em situações com água.
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