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Crianças na rua como indicador da saúde das cidades

Brasil fica no grupo de menor mobilidade infantil independente; ir a pé é visto como necessidade, não opção, contrastando com Finlândia

Ronaldo Lemos
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  • Estudo da Fundação Nuffield avaliou 18 mil crianças em 16 países para entender a mobilidade infantil independente (CIM).
  • Na Finlândia, a maioria anda ou pedala sozinha aos sete anos e, aos dez, já usa transporte público sem supervisão.
  • O Japão aparece no grupo de alta mobilidade, com cerca de 70% das crianças indo a pé à escola.
  • O Brasil fica no grupo com menor mobilidade infantil independente, onde ir sozinho ocorre por necessidade, não por escolha.
  • Um estudo brasileiro com 1.700 crianças de aproximadamente 11 anos mostra que brincar sozinho pode reduzir o bem-estar quando a autonomia é forçada pela precariedade; quando é voluntária, o efeito é positivo.

A mobilidade infantil independente serve como indicador da saúde urbana. Em uma análise da Fundação Nuffield, 18 mil famílias de 16 países foram avaliadas para entender como crianças caminham ou vão de bicicleta sem a supervisão dos pais. O Brasil figura entre os grupos com menor mobilidade nesse aspecto.

O estudo aponta que há grande variação entre as nações. Na Finlândia, a maioria das crianças já circula sozinha pelas ruas aos 7 anos e utiliza transporte público sem acompanhamento aos 10. A liberdade de ir e vir é considerada parte da vida cotidiana.

No Japão, cerca de 70% das crianças vão à escola a pé, e há circulação noturna independente também no transporte coletivo. O país aparece entre os de maior mobilidade infantil, com relatos de autonomia das crianças em diferentes horários.

Contexto brasileiro

No Brasil, a mobilidade infantil independente aparece como tema de menor integração entre autonomia e necessidade. Crianças vão à escola ou circulam pela cidade, mas muitas vezes por falta de opções de transporte, e não por escolha.

Estudos locais indicam que ir a pé é comum, porém vinculado à precariedade, não à opção. Em média, crianças circulam pela cidade por necessidade, e não por liberdade de ir e vir.

Outro estudo brasileiro, com 1.700 crianças de cerca de 11 anos, aponta que brincar sozinha em espaços abertos está ligado ao bem-estar subjetivo. O resultado difere quando a mobilidade é fruto de autonomia versus falta de alternativas.

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