- Steven Pinker, psicólogo cognitivo, linguista e professor da Universidade de Harvard, afirma que a polarização torna as pessoas irracionais devido ao “viés do meu lado”.
- Ele é um dos palestrantes da São Paulo Innovation Week, que ocorre entre os dias 13 e 15 de maio.
- Pinker também comenta a tendência de assistir vídeos em vez de ler textos, defendendo o valor do texto para atenção, releitura e complexidade, ainda que a mídia atual possa favorecer conteúdos visuais.
- O pesquisador ressalta a importância de educação e mídia promoverem racionalidade, lógica, probabilidade e avaliação de fontes, evitando ataques pessoais durante debates.
- No diagnóstico, ele diz que o problema não é falta de inteligência, e sim o uso da inteligência para defender o próprio lado em um cenário de polarização crescente.
Steven Pinker, psicólogo cognitivo, linguista e professor da Universidade Harvard, participa da São Paulo Innovation Week, festival de inovação promovido pelo Estadão e Base Eventos, entre 13 e 15 de maio. A vinda do pesquisador marca uma abordagem sobre polarização e uso da razão na era de abundância de dados.
Em entrevista ao Estadão, Pinker afirmou que o problema não é a falta de inteligência, mas o modo como a razão é aplicada. Ele mencionou o viés do meu lado, segundo o qual cada lado se vê como moral e inteligente, enquanto o outro seria ignorante. A ideia resume o clima atual de debates públicos.
O palestrante alerta que a polarização pode tornar pessoas irracionais. Para ele, mesmo indivíduos bem instruídos podem interpretar dados de forma enviesada quando defendem posições políticas. A convivência com visões diferentes estaria menos presente hoje, segundo o pesquisador.
Pinker também criticou a dinâmica das redes sociais, que, na opinião dele, dificulta a verificação de informações, ao contrário de jornais, edição de conteúdo e mecanismos do judiciário. Ele defende um debate orientado a soluções, com menos competitividade.
A agenda da São Paulo Innovation Week está aberta ao público, com presenças confirmadas de especialistas em inovação e educação. O evento, que ocorre no bairro de cidade, promete discutir políticas públicas, tecnologia e comunicação no Brasil.
Na visão do pesquisador, mudanças sociais profundas ajudam a ampliar a distância entre visões. Ele aponta queda de espaços que reuniam pessoas com perfis diversos e desinformação crescente como fatores relevantes para a polarização. O objetivo, afirma, deve ser encontrar pontos em comum entre segurança, prosperidade e educação.
Além disso, Pinker comentou sobre a tendência de consumir vídeos em vez de ler textos. Ele destacou que a leitura exige esforço, mas é essencial para conteúdos complexos, enquanto a tecnologia facilita o acesso rápido. A educação, segundo o pesquisador, deve incentivar leitura aliada a pensamento crítico, em disciplinas como lógica e probabilidade.
A curiosidade sobre IA permanece, mas não altera o diagnóstico central: o desafio é educativo e cultural. O professor sugere que a sociedade use a tecnologia para ampliar a capacidade de pensar e apurar fontes, sem abandonar métodos institucionais de verificação.
Para o futuro, Pinker defende uma atuação conjunta entre educação, mídia e cultura. O propósito comum seria ampliar prosperidade, segurança e qualidade de vida, mantendo o foco da conversa pública nas melhores políticas e na busca pela verdade.
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