- Cresce o bullying entre adolescentes em escolas da Ucrânia, com vídeos de violência circulando em Telegram e TikTok; autoridades escolares relatam aumento constante.
- Transtornos de ansiedade e depressão entre jovens aumentam; estudo do Mindset, de Kiev, indica que três em cada quatro alunos em idade escolar apresentam sintomas de estresse.
- Motivos: trauma da guerra e estresse crônico; alguns jovens recorrem à humilhação de colegas para elevar a autoestima.
- Cyberbullying é a forma mais comum hoje; escolas, como o Liceu 45 de Kiev, contam com visitas regulares de policiais para orientar sobre comportamento e segurança.
- Governo relata atuação de agentes russos em grupos de Telegram para incitar agressividade; famílias afetadas pela guerra enfrentam dificuldades em monitorar comportamentos dos filhos.
O aumento do bullying entre adolescentes nas escolas da Ucrânia ganhou destaque após vídeos de agressões circularem em redes sociais e aplicativos de mensagens. Os casos acontecem em contextos de guerra, com escolas marcadas pelo uso de subterrâneos para aulas e pelo estresse vivido pelos estudantes. Especialistas apontam que o trauma de guerra explica boa parte do fenômeno, incluindo violências físicas e psicológicas.
A comissária de educação Nadiia Leschik afirma que o problema vem aumentando desde o início da guerra. Ela destaca que a violência entre jovens é alimentada pelo medo, pela ansiedade e pela depressão que atingem muitas crianças em idade escolar. O estudo recente do Mindset, em Kiev, aponta que cerca de 75% dos estudantes apresentam sinais de estresse.
Além da pressão na escola, o ambiente digital amplifica a violência. A tendência é o crescimento do cyberbullying, com ataques ocorrendo em grupos de Telegram e em redes sociais. O uso de celulares por menores, acentuado pelo retorno a aulas presenciais, é citado como fator que facilita a propagação de conteúdos agressivos.
Cyberbullying e influência digital
Segundo a Polícia Escolar de Kiev, há registros de insultos e humilhações em plataformas online durante o período de alarmes aéreos. As autoridades ressaltam que os aplicativos permitem comunicação rápida entre colegas e familiares, aumentando a exposição de vítimas. A situação é acompanhada por especialistas em educação que discutem estratégias de prevenção.
Questionada sobre a origem dos estímulos a comportamentos agressivos, a especialista em educação descreve a participação de fatores externos. Ela aponta que a Rússia tenta intensificar tensões por meio de redes sociais, com linguagem que dialoga com o universo juvenil. O objetivo informado é fomentar conflitos entre jovens.
Ações e monitoramento escolar
As escolas adotam medidas para enfrentar o problema. Em maternidade de Kiev, equipes pedagógicas e policiais passam a dialogar com estudantes sobre convivência, alarmes aéreos e riscos digitais. Pais são orientados a observar sinais de agressividade incomuns em casa, principalmente quando envolvem o uso de dispositivos móveis.
A comissária de educação reconhece que as escolas ficam sobrecarregadas. Mesmo assim, reforça que o bullying entre jovens não pode ser tolerado, e que todos os atores — escola, família e autoridades — devem atuar de forma coordenada para reduzir a violência e proteger as vítimas.
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