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Crescer com autismo em um mundo ainda não adaptado

Adolescência de pessoas no espectro aponta falha de suporte escolar e políticas públicas, aumentando isolamento e desafios para a vida adulta

Para Mayra Gaiato, a sociedade precisa fazer uma profunda conscientização sobre o envelhecer das crianças autistas — Foto: Freepik
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  • O mês de abril é dedicado à conscientização do autismo, mas a adolescência de pessoas no espectro ainda recebe pouco preparo de escolas, famílias e políticas públicas para inclusão ao longo da vida.
  • A psicóloga fundadora do Instituto Singular aponta que, ao crescer, o suporte tende a diminuir e a rede de apoio não acompanha as novas demandas, aumentando o risco de isolamento.
  • Desafios da adolescência incluem autonomia, relações sociais, sexualidade, identidade e preparação para a vida adulta, com maior pressão social e pouco suporte.
  • A escola nem sempre oferece acolhimento adequado, o que pode levar a julgamentos, rótulos e exclusão, especialmente à medida que o corpo muda sem que o comportamento corresponda às expectativas.
  • Para que o autismo seja acompanhado ao longo de toda a vida, é essencial ampliar políticas públicas, formação profissional e acesso a suporte emocional, promovendo pertencimento, dignidade e oportunidades reais.

O autismo não fica na infância. A psicóloga e fundadora do Instituto Singular alerta sobre a falta de suporte na adolescência de pessoas no espectro, fase em que aumentam as demandas sociais, emocionais e acadêmicas. Ainda há pouca preparação de escolas, famílias e políticas públicas para inclusão ao longo da vida.

Ao longo de sua prática, ela observa uma lacuna: o que cresce com essas crianças quando elas chegam à adolescência? Em muitos casos, não cresce a rede de apoio, não avança a adaptação escolar e não se amplia o acesso a serviços que acompanhem as novas demandas.

A adolescência exige mais independência, mas nem sempre há suporte adequado. As relações mudam, a amizade se torna central e o sentimento de isolamento pode intensificar. Muitas vezes, o que cresce é a exigência, não o acolhimento.

As dores nessa fase nem sempre aparecem com clareza. O suporte costuma diminuir justamente na transição para a autonomia, sexualidade, identidade e vida adulta. A pressão social aumenta e o pertencimento pode parecer distante.

A escola deveria ser espaço de acolhimento, mas nem sempre oferece esse suporte. O corpo muda e o comportamento nem sempre acompanha as expectativas sociais, gerando julgamentos e exclusão. Também surgem dificuldades acadêmicas.

É necessário ampliar o olhar: o autismo acompanha a pessoa por toda a vida. A adolescência ainda recebe menos atenção em políticas públicas, formação profissional e estratégias de cuidado. A ideia é entender que inclusão envolve adaptações coletivas, não apenas do indivíduo.

Para crescer, é preciso que as estruturas também cresçam. Políticas públicas, escolas, serviços de saúde e o mercado de trabalho devem acompanhar o desenvolvimento. Sem isso, não falta capacidade, falta suporte.

O debate amplia a compreensão de que adolescentes e adultos no espectro precisam de diagnóstico, intervenção e, principalmente, pertencimento, dignidade e oportunidades reais ao longo da vida.

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