- Em 2025, a taxa de desemprego entre jovens de 18 a 24 anos ficou em 11,4%, mais do que o dobro da média nacional de 5,1% (IBGE).
- A relação entre desemprego e despesas básicas leva à evasão universitária: apenas 33% dos jovens que concluíram o ensino médio ingressaram na universidade no ano seguinte; evasão é de 24,1% na educação a distância e 9,5% no ensino presencial.
- O debate público costuma tratar o acesso ao ensino superior como mérito individual, ignorando que o sistema reforça desigualdades relacionadas ao capital cultural das famílias (conceito de Pierre Bourdieu).
- Em momentos de crise, muitos estudantes trabalham para financiar os estudos, o que aumenta a sobrecarga e pode comprometer o rendimento e a permanência na universidade.
- Experiências no interior do Paraná mostram que, em ecossistemas de inovação com empresas, mais de 90% dos alunos conseguem emprego já no primeiro ano, sugerindo que educação conectada à prática profissional favorece a permanência estudantil.
O Brasil ainda convive com a ideia de que a educação é o caminho para mudar de vida, mas para muitos jovens a escolha diária é entre estudar ou pagar as contas. A recuperação do emprego não tirou a desigualdade de contexto entre gerações.
A taxa de desemprego entre jovens de 18 a 24 anos fechou 2025 em 11,4%, mais que o dobro da média nacional de 5,1%. O mesmo grupo corre maior risco de ficar sem trabalho ao ingressar na universidade.
Sem emprego, não há renda para manter estudos. Mesmo em instituições públicas, custos com transporte, alimentação, moradia e materiais pesam. A evasão ocorre quando as condições financeiras não sustentam a continuidade educacional.
Desafios financeiros e permanência
Dados do Censo da Educação Superior de 2024 mostram que apenas 33% dos jovens que concluíram o ensino médio ingressaram na universidade no ano seguinte. Entre os ingressantes, evasão chega a 24,1% na educação a distância e 9,5% no presencial.
Numa leitura histórica, a desigualdade abre brechas já na entrada, refletindo o capital cultural herdado. Jovens de classes populares chegam com menos suporte e menos familiaridade com o ambiente acadêmico.
Além disso, muitos estudantes aceitam empregos precários para financiar os estudos. Trabalham o dia inteiro, estudam à noite e vivem sob pressão, o que afeta o desempenho e aumenta a evasão.
Experiências de integração entre estudo e trabalho
No interior do Paraná, uma faculdade conecta-se a um ecossistema de inovação com mais de 130 empresas. Nesses ambientes, mais de 90% dos estudantes obtêm empregabilidade já no primeiro ano.
A prática inclui estágios, projetos aplicados e parcerias com empresas, permitindo aprender enquanto trabalha. O resultado é formação mais alinhada ao mercado e maior retenção estudantil.
Programas de assistência, como o PNAES, ajudam, mas não resolvem o subfinanciamento crônico. É preciso integrar educação, inovação e desenvolvimento regional para manter estudantes na graduação.
Caminhos possíveis e conclusão do tema
Universidades conectadas a empresas e ao poder público criam ciclos virtuosos: estudantes ficam na faculdade, empresas formam mão de obra qualificada e regiões retêm talentos. A mudança depende de políticas que garantam sobrevivência e acesso.
Dayane Kelly Sabec-Pereira, doutora e gerente acadêmica da Faculdade Donaduzzi (Biopark), reforça que a solução envolve o funcionamento conjunto de educação, inovação e desenvolvimento regional.
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