- O estudo IELS-2025 aponta que 53% das famílias raramente leem para as crianças, e em camadas mais ricas o índice de leitura frequente não atinge 25%.
- Em algumas localidades, apenas 14% dos responsáveis faz leitura compartilhada entre três e sete vezes por semana, enquanto a média internacional é de 54%.
- O levantamento foi realizado em Ceará, Pará e São Paulo, envolvendo 2.598 crianças em 210 escolas (80% públicas).
- No domínio da literacia emergente, a média brasileira ficou próxima de 502 pontos, acima da média global de 500, mas houve desigualdades em numeracia emergente, com 456 pontos e maiores déficits entre grupos socioeconômicos mais baixos.
- O estudo destaca a importância de políticas intersetoriais de parentalidade e de aproximação entre família e escolas para o desenvolvimento infantil.
Nesta edição, o estudo IELS-2025 revela que 53% das famílias no Brasil raramente leem para as crianças em idade pré‑escolar. A pesquisa, realizada em três estados, aponta desigualdades na aprendizagem já na educação infantil e reforça a importância da leitura compartilhada para o desenvolvimento.
O levantamento envolveu 2.598 crianças distribuídas em 210 escolas, sendo 80% públicas e 20% privadas, em Ceará, Pará e São Paulo. Os dados mostram que apenas 14% dos responsáveis realizam leitura compartilhada entre três e sete vezes por semana, enquanto a média internacional fica em 54%.
A análise, coordenada pelo LaPOpE/UFRJ, liderada por Tiago Bartholo, ressalta que a situação persiste mesmo entre famílias de renda mais alta, com menos de 25% mantendo frequência alta de leitura. O ponto central é entender a leitura como componente da alfabetização.
A pesquisa enfatiza que a leitura compartilhada favorece o bem‑estar e o desenvolvimento infantil, mas ainda não é amplamente disseminada entre pais, mães e cuidadores. A falta desse vínculo pode impactar o desempenho educacional ao longo da infância.
Desdobramentos e políticas
O estudo sugere ampliar políticas intersetoriais e programas de parentalidade, fortalecendo a relação entre famílias e escolas de educação infantil. A ideia é alinhar ações de saúde, educação e proteção social para reduzir as desigualdades.
Os resultados apontam que, na prática, é preciso reforçar o vínculo entre família e escola para potencializar o desenvolvimento das crianças. A proposta é adotar estratégias conjuntas que valorizem a leitura em casa desde a primeira infância.
Dados por domínio do desenvolvimento
O IELS-2025 avalia três grandes áreas: aprendizagens fundamentais, funções executivas e habilidades socioemocionais. Foram identificados 10 domínios, com foco em linguagem, raciocínio lógico, autorregulação e empatia.
Na literacia emergente, a pontuação média brasileira ficou acima da internacional, com leve vantagem. Já na numeracia emergente, o desempenho brasileiro ficou 44 pontos abaixo da média global, revelando desigualdades entre grupos socioeconômicos.
Uso de telas e ritmo de atividades
O estudo aponta que 50,4% das crianças usam dispositivos digitais todos os dias, acima da média global de 46%. Em contrapartida, 11,4% nunca ou quase nunca utilizam telas. Bartholo alerta para o uso mediado e equilibrado.
Sobre atividades educativas, 62% raramente ou nunca as realizam em computadores, tablets ou celulares. Apenas 19% participam de atividades educativas três a sete vezes por semana.
Ambiente e estímulos externos
A pesquisa indica que apenas 37% das famílias promovem atividades ao ar livre com frequência, enquanto 29% relatam pouca ou nenhuma prática nesse sentido. O acesso a bibliotecas, cursos e oficinas também varia conforme a disponibilidade local.
Especialistas destacam que atividades físicas e experiências educativas fora de casa são importantes para a cognição e a memória de trabalho. A prática regular pode contribuir para melhor desempenho escolar.
Voz das crianças e empatia
Mais da metade das famílias (56%) conversa com as crianças sobre sentimentos três a sete dias por semana. Em comparação com a média internacional, esse contato é menor, já que a referência global fica em 76%.
Os domínios de empatia apresentam pontuações relativamente altas em relação à média, reforçando a relevância de abordar emoções e relações sociais desde a primeira infância.
Panorama regional e recortes
O Brasil participou do IELS como único país da América Latina. O estudo destaca desigualdades por raça, gênero e nível socioeconômico, com crianças pretas, indígenas e de famílias com menor renda enfrentando maiores dificuldades.
O recorte racial evidencia diferenças expressivas na linguagem e na numeracia entre crianças brancas e pretas. Esses índices refletem desigualdades já presentes na pré‑escola.
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