- O distrito escolar de Knox County, no Tennessee, proibiu o romance Roots de Alex Haley nas bibliotecas, sob a Lei de Materiais Apropriados à Idade, aprovada em 2022.
- A lei levou a um aumento de remoções de títulos nas escolas do estado, que hoje ocupa o terceiro lugar no país em banimentos.
- Roots continua a ser usado em sala de aula, apenas não pode ficar nas estantes das bibliotecas. A decisão foi baseada em uma passagem do 84º capítulo considerada “inadequada para a idade”.
- A dona do comitê de revisão do distrito afirmou que o histórico e o significado cultural da obra não pesam na aplicação da lei, que foca apenas conteúdo considerado inadequado.
- Outros títulos banidos pelo distrito sob a mesma lei incluem The Handmaid’s Tale, Water for Elephants e The Kite Runner, totalizando 124 títulos desde início de 2025.
A rede de escolas do condado de Knox, em Tennessee, removeu a obra Roots, de Alex Haley, das bibliotecas sob a lei estadual de 2022 que regula materiais permitidos aos estudantes. A decisão acompanha uma onda de banimentos que atingiu centenas de títulos no estado.
Roots, publicado em 1976, retrata seis gerações da família Kinte após a captura de Kunta Kinte na Gâmbia e sua escravização na América. O livro já venceu o Pulitzer e foi adaptado para uma minissérie de grande repercussão cultural.
Pelo protocolo estadual, o material foi retirado com base na lei de Materiais Adequados à Idade, aprovada em 2022. A norma exige lista pública de títulos e políticas de revisão após feedback de pais, responsáveis, alunos ou funcionários.
A assessora do distrito, Carly Harrington, explicou que a retirada não reflete valor literário, mas a conformidade com a lei. Disse ainda que a decisão envolve apenas a passagem considerada inadequada para a idade no capítulo 84, sem considerar o significado geral da obra.
O comitê de revisão do KCS já havia analisado um trecho de Roots e não recomendado o banimento, segundo a imprensa local. O distrito não respondeu a perguntas sobre novos motivos apresentados para a retirada.
Como resultado, Roots não consta mais das estantes da biblioteca, mas pode ser utilizado em sala de aula, apenas não disponível para empréstimo. A decisão gerou críticas de defensores da liberdade de expressão.
Críticos afirmam que o banimento impede que estudantes compreendam o contexto histórico da escravidão. Organizações como PEN America destacam que trechos isolados não devem justificar exclusões, para preservar o contato dos alunos com o tema.
Além de Roots, outros títulos banidos pelo KCS sob a mesma lei já incluem The Handmaid’s Tale, Water for Elephants e The Kite Runner, elevando o total para 124 até agora. Dados oficiais indicam que Tennessee ocupa a terceira posição no país em fechamento de livros.
Historiadores e defensores da memória histórica ressaltam que obras como Roots ajudam a entender a transição entre passado e sociedade moderna, sem explorar de modo sensacionalista. A discussão persiste sobre como equilibrar proteção à infância e educação crítica.
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