- O total de estudantes no ensino superior no mundo passou de 100 milhões em 2000 para 269 milhões em 2024, correspondendo a 43% da população de 18 a 24 anos.
- Existem grandes desigualdades regionais: 80% dos jovens na Europa Ocidental e América do Norte estudam no nível superior, contra 9% na África Subsaariana.
- Instituições privadas representam um terço das matrículas globais; em países como Brasil, Chile, Coreia do Sul e Japão, 80% dos estudantes frequentam privadas.
- A taxa bruta mundial de graduação passou de 22% em 2013 para 27% em 2024; apenas um terço dos países oferece ensino superior público gratuito.
- Mulheres já superam homens no ensino superior (2024: 114 mulheres para cada 100 homens), com avanços regionais, though África Subsaariana permanece com menores taxas; a mobilidade internacional aumentou, mas beneficia apenas cerca de 3% dos estudantes totais.
O conjunto de dados utilizado pela Unesco aponta que o total de estudantes no ensino superior mundial cresceu de 100 milhões em 2000 para 269 milhões em 2024. O estudo, que reúne informações de 146 países, indica que esse valor representa 43% da população de jovens entre 18 e 24 anos.
Apesar do aumento expressivo, o relatório evidencia disparidades regionais. A taxa de matrícula chega a 80% na Europa Ocidental e na América do Norte, 59% na América Latina e no Caribe, 37% nos Estados Árabes e 9% na África Subsaariana.
As instituições privadas continuam a representar cerca de um terço das matrículas globais. Em 2023, a participação privada alcançou 49% na região da América Latina e do Caribe. Em países como Brasil, Chile, Coreia do Sul e Japão, 80% dos estudantes frequentam instituições privadas.
Segundo o relatório, apenas um terço dos países oferece ensino superior público gratuito por lei. Em contrapartida, a taxa bruta de graduação global subiu de 22% em 2013 para 27% em 2024.
Demanda e financiamento
O diretor-geral da Unesco, Khaled El-Enany, destacou que a demanda por ensino superior é crescente e que ele cumpre papel fundamental na construção de sociedades sustentáveis. Ele ressaltou, porém, que a expansão nem sempre gera oportunidades iguais.
O relatório aponta necessidade de modelos de financiamento inovadores para ampliar inclusão e qualidade no ensino superior. Iniciativas como a Convenção Global sobre a Educação Superior e o Passaporte de Qualificações são citadas como instrumentos de apoio.
Mobilidade internacional
Entre 2000 e 2024, a mobilidade internacional de estudantes quase triplicou, de 2,1 milhões para 7,3 milhões. Metade dessas transições ocorre entre países da Europa e da América do Norte. Ainda assim, apenas cerca de 3% do total de estudantes globais se beneficia da mobilidade.
Setores de recebimento dominantes incluem Alemanha, Austrália, Canadá, EUA, França, Reino Unido e Rússia, que juntos respondem pela metade das entradas. Turquia e Emirados Árabes Unidos mostram crescimento expressivo, aproximando-se de países como a França.
Preferência regional e liderança de destinos
A análise aponta uma tendência de estudantes escolherem estudar próximo de casa. Na América Latina e no Caribe, a mobilidade intrarregional subiu de 24% para 43% entre 2000 e 2022, com a Argentina como destino principal na região.
Gênero e inclusão
Em 2024, o número de mulheres matriculadas superou o de homens, com 114 mulheres para cada 100 homens. A paridade é observada em todas as regiões, exceto na África Subsaariana, que registra as menores taxas de matrícula e conclusão.
O relatório ressalta avanços na Ásia Central e no Sul da Ásia, onde a proporção de mulheres aumentou significativamente desde 2000. Contudo, as mulheres permanecem sub-representadas entre doutorados e em cargos de liderança sênior.
Desafios persistentes
Equidade, qualidade e financiamento continuam como temas críticos. Apenas um terço dos países implementou programas de acesso para grupos sub-representados. Diversos países promoveram redução ou eliminação de taxas para grupos específicos, incluindo África do Sul, Chile, Coreia do Sul, Filipinas, Itália, Japão, Maurício e México.
O estudo também registra aumento no acesso de refugiados ao ensino superior, com matrículas 9% em 2025, ante 1% em 2019. Ainda assim, o reconhecimento de qualificações permanece como obstáculo significativo.
Passaporte de Qualificações e investimentos
O Passaporte de Qualificações aparece como ferramenta para reconhecer credenciais de refugiados. A implementação já ocorre no Iraque, no Quênia, em Uganda, na Zâmbia e no Zimbábue.
O relatório analisa que o nível de investimento público no ensino superior fica em torno de 0,8% do PIB global. A Unesco aponta que a austeridade fiscal aumenta a pressão sobre instituições e reforça a busca por modelos de financiamento alternativos.
Perspectivas sobre tecnologia e educação
A pesquisa indica que a inteligência artificial está transformando o ensino, mas apenas 20% das universidades tinham, em 2025, uma política formal sobre o tema. A expansão rápida nos últimos anos exige medidas para manter padrões de qualidade e ampliar o acesso de grupos desfavorecidos.
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