- Dois candidatos surdos terão se submetido ao processo seletivo de mestrado da Faculdade de Educação da USP, após terem pedido prova em Libras, com vídeo e tradução posterior, o que não foi autorizado.
- A Faculdade de Educação negou a adaptação, dizendo que a seleção segue edital com prova exclusivamente em português e que garantiu uma hora a mais e apoio de intérprete, conforme previsto para deficiências.
- A prova ocorreu em 7 de abril; houve intérpretes presentes, mas a gravação das respostas em vídeo não foi permitida. Jaqueline Pristello foi reprovada com 3,5, abaixo da nota mínima de 7,0.
- Os candidatos buscaram a correção das provas e os critérios de avaliação, mas tiveram os pedidos negados; Jaqueline acionou o Ministério Público de São Paulo.
- Advogada especializada em direitos de pessoas com deficiência e a OAB-SP questionam a recusa, afirmando que prova em Libras com tradução posterior é viável e que a prática pode configurar discriminação, citando exemplos de outros programas da USP que já adotam a medida.
A Faculdade de Educação da USP foi alvo de denúncia de dois candidatos surdos que não puderam realizar a prova de mestrado em Libras. Jaqueline Pristello, 40 anos, e Alexandre Jurado Melendes, 56, foram reprovados após terem tido a avaliação em português como única opção. Eles haviam pedido a possibilidade de responder em Libras com gravação em vídeo e tradução posterior.
Segundo a defesa, o pedido foi negado sob o argumento de que a adaptação violaria o princípio da igualdade entre candidatos. A instituição informou que o edital prevê prova exclusivamente em português e que ofereceu uma hora adicional, além de apoio de intérprete, conforme prevê a legislação para candidatos com deficiência.
Ainda de acordo com a Faculdade de Educação, o domínio do português escrito é essencial para atividades acadêmicas e está alinhado a diretrizes da educação de surdos no país. Os candidatos contestam a decisão, afirmando que houve falta de transparência e de acesso às provas corrigidas e aos critérios de avaliação.
Posição da instituição
A USP argumenta que cada programa tem autonomia para definir políticas de inclusão. A unidade ressalta que a etapa de arguição permite uso de Libras com intérprete e afirma que a demanda será avaliada internamente. A instituição informou que não houve autorização para a gravação das respostas em vídeo durante a prova.
A denúncia também aponta que outros programas da USP já aceitam provas em Libras com tradução posterior, o que, segundo os candidatos, demonstra a viabilidade da prática. A advogada Adriana Monteiro, especialista em direitos de pessoas com deficiência, sustenta que negar Libras com tradução configura discriminação estrutural e fere a legislação.
Repercussões e encaminhamentos
O caso foi levado ao Ministério Público de São Paulo pela representante Jaqueline. A manifestação reivindica acesso às provas corrigidas, divulgação dos critérios de avaliação e adoção de adaptações linguísticas. A OAB-SP, por meio da Comissão de Direitos da Pessoa com Deficiência, também aponta possibilidade de violação de direitos básicos conforme normas nacionais e tratados internacionais.
Caso haja reiterada negativa, a análise jurídica pode incluir avaliação sobre enquadramento da prática como discriminação por barreiras linguísticas. O resultado final depende de apuração institucional e de eventuais ações judiciais para assegurar adaptação razoável no processo seletivo.
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