- Milton Santos, geógrafo baiano que faria 100 anos em maio, é um dos vinte autores mais citados nas universidades brasileiras.
- Sua obra influenciou o ensino e é referência em motivações de esquerda; o MST tem uma escola com o nome dele no Paraná e a Fundação Perseu Abramo usa seus conceitos.
- Foi premiado com o Prêmio Vautrin Lud, considerado o Nobel da Geografia, e escreveu mais de quarenta livros.
- Teve passagem pública marcada por exílio de treze anos após o golpe de 1964 e atuou em Cuba ao lado de Jânio Quadros; depois retornou e lecionou na USP.
- Críticos apontam que ele ajustou dados a um discurso político, defendendo uma globalização sob perspectiva de opressão e propondo uma “outra globalização” de baixo; há debates sobre a validade de suas teses.
Milton Santos, geógrafo baiano, completaria 100 anos neste mês de maio. Sua obra permanece influente na educação brasileira, presente em teses, cursos e vestibulares, e é alvo de debates sobre os impactos da globalização.
Um levantamento da Gazeta do Povo, com base em 3 mil teses, aponta Santos entre os 20 autores mais citados nas universidades do país. Ele figura à frente de nomes como Max Weber, Jean Piaget e Judith Butler, fortalecendo sua presença nos currículos.
As ideias do docente aparecem com frequência em temas de Enem e em aulas de cursinhos que discutem a globalização como fenômeno central. A análise pública, porém, pode simplificar a relação entre mercados, empregos e direitos.
Atribuição de prêmios e legado
O trabalho de Santos foi reconhecido com o Vautrin Lud, maior prêmio da geografia mundial. Com mais de 40 livros, ele influenciou gerações de educadores, geógrafos e cientistas sociais, além de inspirar movimentos sociais de esquerda.
O MST chegou a batizar uma escola no Paraná com o nome dele. O PT também utiliza conceitos dele na Fundação Perseu Abramo, instituição de formação política ligada ao partido, evidenciando seu impacto político.
Trajetória acadêmica e trajetória pública
Santos publicou desde 1948 e ganhou notoriedade no fim dos anos 1980, impulso que se amplificou com a vitória no Vautrin Lud em 1994. A globalização popularizou suas ideias junto a estudantes e imprensa.
O geógrafo defendia leitura política da disciplina, argumentando que a geografia não é neutra e que a lógica do capital condiciona o conhecimento. Sua leitura destacava exploração, exclusão e dependência.
Três leituras da globalização
Chamada de “força dos lentos”, a visão de Santos descreve três formas de entender o fenômeno: a fábula otimista, a perversidade com desigualdades e a possibilidade de uma globalização de baixo, criada por povos marginalizados.
Ele enfatizava que a riqueza de quem não possui pode vir da sensibilidade frente aos contextos locais, defendendo uma postura crítica diante da lógica de consumo e do poder econômico.
Vida e contextos
Nascido em Brotas de Macaúbas, Santos começou a dar aulas ainda cedo e atuou como jornalista. Estudou Direito, fez doutorado em Geografia na França e retornou à Bahia para lecionar. Em 1960 acompanhou Jânio Quadros, em Cuba, como editor.
Durante o período militar, foi preso e exilou-se por 13 anos. Lecionou em instituições como a Universidade de Estrasburgo, na França, e a USP, retornando ao Brasil em 1984.
Avaliação crítica
Críticas apontam que alguns de seus argumentos podem ter exageros ou pouca fundamentação empírica. Pesquisadores de universidades brasileiras destacam que determinadas teses foram mobilizadas para assembleia de discurso político.
Ainda assim, Santos é reconhecido por chamar atenção para como grandes empresas moldam cidades e regiões, e por prever a importância de infraestrutura tecnológica na globalização.
Considerações finais do momento atual
Milton Santos permanece relevante para debates sobre desigualdade, políticas públicas e urbanização. Sua obra é objeto de análises que discutem acertos, limites e impactos de seus diagnósticos no Brasil contemporâneo.
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