- STF passou a investigar emendas parlamentares da Alerj destinadas a obras em escolas estaduais após a prisão do deputado Thiago Rangel (Avante), com acusações de desvio de recursos e direcionamento de contratos.
- Documentos enviados ao ministro Alexandre de Moraes mostram que Rangel propôs uma emenda de quase R$ 870 mil para a Diretoria Regional Noroeste Fluminense; a diretora da regional, Jucia Gomes de Souza, foi presa no mesmo dia.
- A empresa apontada para receber a emenda é a Universo Construtora e Serviços de Reformas, já investigada pela Polícia Federal por possíveis características de empresa de fachada.
- PF registrou que o sócio da Universo, Lidiomar Lopes de Souza, sacou R$ 500 mil em espécie e fez dois depósitos de R$ 50 mil para um posto de gasolina; o proprietário do posto seria apontado como operador financeiro do esquema.
- Investigações indicam que parte do dinheiro transferido para a VML Comércio e Serviços, grupo ligado ao operador financeiro, seria usado para lavagem de dinheiro; após o caso, a Secretaria Estadual de Educação informou ao STF que nenhum pagamento relacionado às emendas deve ser realizado.
Emendas parlamentares da Alerj destinadas a obras em escolas estaduais entraram na mira do STF após a prisão do deputado Thiago Rangel (Avante), no início deste mês. A PF aponta que o parlamentar integrava um esquema de desvio de recursos para reformas na rede estadual, com uso da influência política para direcionar contratos.
Documentos enviados pela nova gestão da Secretaria Estadual de Educação ao ministro Alexandre de Moraes indicam que Rangel propôs uma emenda de quase 870 mil reais para a Diretoria Regional Noroeste Fluminense. A diretora da regional, Jucia Gomes de Souza, foi presa no mesmo dia.
Segundo a Educação, a empresa beneficiária seria a Universo Construtora e Serviços de Reformas, já investigada no mesmo inquérito pela PF. A firma é apontada como possivelmente de fachada, com atividades declaratórias na construção civil, porém sem registro de funcionários.
A PF identificou características de empresa de fachada, como sede com tijolos aparentes em Campos dos Goytacazes e funcionamento aquém do porte financeiro declarado. O sócio Lidiomar Lopes de Souza sacou 500 mil reais em espécie, seguido de dois depósitos de 50 mil em um posto de gasolina.
O posto seria objeto de operação financeira do esquema; o proprietário, Luis Fernando Passos de Souza, é considerado operador financeiro. Os investigadores apontam que parte dos valores pode ter origem em contratos públicos e houve pagamento estatal antes dos saques.
Ainda conforme a PF, Lidiomar atuaria como «laranja» de Luis Fernando. Ao ser detido, ele estava na companhia de Marcos Aurélio Brandão Alves, procurador de outra empresa investigada, a VML Comércio e Serviços, que integra o mesmo grupo econômico para lavagem de dinheiro.
Ao aprofundar o inquérito, a PF relatou que parte do dinheiro transferido para a VML era repassada a outras empresas ligadas ao suposto operador financeiro. A reportagem visitou endereços em Campos, mas não encontrou pessoas nos locais.
Após as prisões, a nova gestão da Secretaria Estadual de Educação informou ao STF que nenhum pagamento relacionado às emendas deve ser realizado. A defesa de Rangel afirma que o deputado repassou a emenda para a sede da regional, e que a contratação da empresa cabia à própria Secretaria.
A Secretaria afirmou que está revisando administrativamente todos os processos de obras em escolas estaduais. Não houve resposta de Universo, Lidiomar, nem de demais citados até o fechamento desta edição.
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