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Geração prateada transforma preconceito em oportunidades

Idosos voltam à universidade e criam oportunidades, enfrentando etarismo e inspirando caminhos profissionais e acadêmicos no DF

Maurício Ferreira, 67, é estudante da UnB e influenciador digital
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  • Maurício Ferreira, aos 67 anos, é aluno da UnB no Vestibular 60, tem 13 mil seguidores no Instagram (@IdosonaUnB) e planeja dupla diplomação em psicologia; criou um negócio de serviços tecnológicos após sentir preconceito no mercado de trabalho.
  • Sylvia Yano, 67, aposentada, viajou por todas as capitais do Brasil e conhece 56 países; com Lilian Azevedo, apresenta o podcast Viajantes Bem-Vividas (103 episódios) que incentiva viajar já depois dos 60 e destaca planejamento para segurança.
  • A convivência intergeracional na universidade é apresentada como estímulo à memória, linguagem e empatia; especialistas indicam que o contato entre gerações reduz solidão e ajuda a desconstruir etarismo.
  • Maurício comenta que, na vida profissional, a idade pode ser vista como barreira financeira, levando alguns a políticas que privilegiam jovens; ele optou pelo empreendedorismo para ditar o próprio ritmo.
  • A série Envelhecer é moderno analisa o etarismo no Distrito Federal em 2026, ressaltando que pessoas com mais de 60 anos costumam ter maior escolaridade e renda, mas enfrentam exclusão no mercado de trabalho.

Maurício Ferreira chegou às 11h de uma quarta-feira à frente da Livraria do Chico, no prédio principal da UnB, com fichário e um livro escrito por ele. Um estudante de 67 anos, ele evita ser chamado de senhor e já prepara a próxima aula, marcada para as 14h.

O veterano, que atua na área de tecnologia e se aposentou do Ministério da Saúde, é um dos 594 alunos com mais de 60 anos que ingressaram pela via Vestibular 60. Com 13 mil seguidores no Instagram, ele conta nos stories as experiencias de quem retorna aos estudos.

Ele destaca que o ambiente universitário tem sido receptivo. Maurício afirma aprender com os colegas mais jovens e também auxilia na sala quando possível. Além da escola, ele administra um perfil na rede social para compartilhar causos e lições do retorno aos estudos.

Viajante bem-vivida

Sylvia Yano, aos 67 anos, descobriu o gosto pelas viagens ainda na infância, em viagens com a família no Fusca da mãe. A aposentada já visitou todas as capitais brasileiras (exceto Palmas) e conheceu 56 países. Junto à amiga Lilian Azevedo, comanda o podcast Viajantes Bem-Vividas, que soma 103 episódios.

No programa, as duas quebram mitos sobre viajar sozinha após os 60 e dão dicas de planejamento e segurança. O projeto nasceu há cinco anos, durante a pandemia, a partir de blogs que elas já mantinham. Sylvia ressalta que manter a prática física ajuda a acompanhar o ritmo das caminhadas.

Ela também defende que a idade não deve ditar comportamentos. Em suas viagens, a musculação e o cuidado com a segurança são prioridades, e a visão de mundo se amplia com cada destino. A conversa com fãs e seguidores costuma abordar receios e curiosidades sobre viajar após os 60.

Competição desleal

Otávio de Toledo Nóbrega, professor da UnB e conselheiro dos Direitos do Idoso no DF, aponta que o convívio intergeracional fortalece memória, linguagem e atenção, além de reduzir solidão. O pesquisador afirma que essa interação desconstrói o etarismo e valoriza vínculos familiares ativos.

O DF reúne idosos com maior escolaridade e renda, mas encara exclusão no mercado de trabalho. Em relação às empresas, ele observa uma tendência de priorizar juventude, o que reduz o uso de capital humano experiente. A situação é descrita como contraditória para um país com população envelhecida.

Maurício relata que dificuldades de emprego surgiram após os 50 anos, quando entrevistas passaram a incorporar justificativas relacionadas à idade. Em vez de recuar, ele empreendeu, oferecendo serviços tecnológicos para empresas privadas, e planeja dividir corredores com o neto no futuro.

Três perguntas para

Otávio de Toledo Nóbrega, professor da UnB, pesquisador e conselheiro dos Direitos do Idoso, responde.

Como a convivência entre gerações impacta a saúde cognitiva e social de quem envelhece? Estudos indicam que esse contato frequente estimula memória, linguagem e atenção, reduz solidão e ajuda a reduzir o etarismo, fortalecendo relações. Idosos com rede familiar ativa preservam memória por mais tempo.

Quais são as consequências da busca pelo antienvelhecimento e por procedimentos estéticos? A pressão estética atinge mais as mulheres, diz o especialista, enquanto homens são vistos como mais maduros. O cuidado é saudável na medida certa, mas assusta quem não tem recursos para acessar serviços.

O que falta para Brasília ser mais amiga do idoso no que diz respeito à cultura e ao trabalho? O DF tem mão de obra idosa qualificada, porém exclusão laboral. O mercado ainda privilegia a juventude, desperdiçando experiência que pode beneficiar empresas e sociedade.

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