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Clã comanda prefeituras AL e desvia verba da educação para trator e arena de vaquejada

Dinastia Higino comanda duas prefeituras em Alagoas e desvia, ao menos, R$ 6 milhões da educação para vaquejada, tratores e obras

Parque de vaquejada Evanio Higino, em Campo Grande (AL); cobertura da arquibancada foi paga com dinheiro da educação
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  • Clã Higino comanda duas prefeituras em Campo Grande e Olho D’Água Grande, Alagoas, e é acusado de desviar recursos da educação para agrotóxicos, manutenção de carros, obras fantasmas e reforma de arena de vaquejada privada.
  • Extratos do Fundeb e notas fiscais indicam desvios que somam ao menos 6 milhões de reais em cinco anos.
  • Melhorias da vaquejada, financiadas com dinheiro da educação, incluíram a cobertura da arena Evânio Higino, entregue em março, enquanto escolas da região apresentam quadro de infraestrutura precário.
  • Compras de vigas, telhas, lonas, peças de tratores e pneus somaram dezenas de milhares de reais; itens foram adquiridos em Arapiraca e pagos pelo Fundeb de ambas cidades.
  • A Folha visitou as cidades e não obteve respostas oficiais; o FNDE informou que a fiscalização é de responsabilidade dos órgãos de controle e o Tribunal de Contas de Alagoas não respondeu.

O clã Higino, que comanda as prefeituras de Campo Grande e Olho D’Água Grande, em Alagoas, é alvo de apuração sobre desvios de recursos da educação. Relatos obtidos pela Folha apontam uso de verbas do Fundeb para itens não educativos, obras em infraestrutura de vaquejada e manutenção de bens da família.

A fraude envolve extratos do Fundeb, mais de 30 notas fiscais e documentos de duas prefeituras. As informações indicam desvios que somam pelo menos 6 milhões de reais nos últimos cinco anos. As cidades ficam a cerca de 160 km de Maceió.

Arnaldo Higino foi prefeito de Campo Grande desde 1992, eleição que retornou ao poder de forma continuada até hoje em favor de parentes. O sobrinho Teo Higino (PSB) é o atual prefeito de Campo Grande; a esposa de Arnaldo, Suzy Higino (PP), governa Olho D’Água Grande.

A reportagem da Folha apurou pagamentos a lojas de materiais de construção em Arapiraca, com envio simultâneo às duas cidades. Entre as compras, vigas, telhas e itens de serralheria foram apontados como provenientes de recursos da educação, sem registro de obras nas escolas.

As escolas municipais enfrentam infraestrutura precária. Em Campo Grande, a escola Evânio Higino permanece com quadra interditada e telhado danificado. Em Olho D’Água Grande, a situação é marcada por duas escolas fechadas e salas com danos estruturais.

No município de Campo Grande, a escola municipal Apolinario G. dos Santos registra falta de carteiras e espaço inadequado. Professores relatam salários abaixo do piso e problemas de segurança, com a documentação apontando que o piso nacional não tem sido seguido.

Registros indicam que parte do dinheiro da educação foi destinada para manutenção de veículos da família e para aquisição de tratores e peças para fazendas da própria dinastia. Em 9 de setembro de 2025, itens para tratores de Arapiraca foram comprados com divisão entre as prefeituras.

A obra da arena de vaquejada no Parque Evanio Higino, em Campo Grande, recebeu verba do Fundeb para substituição de cobertura, concluída em março. A arena pertence à família, e o parque abriga cabeças de gado da empresa do grupo.

A Folha verificou ainda que a construção de uma estrutura de apoio no parque foi concluída, com prazos cumpridos para a competição que distribuiu prêmios de 380 mil reais. A prefeitura de Olho D’Água Grande pagou quase 54 mil reais a lojas de materiais diversos desde 2021.

Em 2025, o Fundeb destinou pagamentos à Construtora Ambiental, que não teve contrato registrado com educação. O montante total recebido pela empresa alcançou 4,97 milhões de reais desde 2021, com maior parte vindo de Olho D’Água Grande.

A Folha procurou as prefeituras e as secretarias de Educação das duas cidades desde 12 de maio, por meio de e-mails e contatos telefônicos, mas não houve resposta. O FNDE informou que a fiscalização cabe aos órgãos de controle, enquanto o Tribunal de Contas de Alagoas não respondeu aos contatos.

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