- O painel “Ser menina não deveria doer”, promovido pelo Instituto Alana em Brasília, discutiu trazer os meninos para a conversa sobre dignidade menstrual.
- A iniciativa destaca que a dignidade menstrual envolve saúde, educação, infraestrutura, acesso à informação e convivência, não apenas distribuição de absorventes.
- Dados da PeNSE 2024 mostraram que quinze vírgula três por cento de adolescentes entre treze e dezessete anos deixou de ir à escola ao menos um dia por falta de absorvente; na rede pública, o índice sobe para dezesseis vírgos nove por cento.
- A pesquisa do Alana em parceria com a Equidade.info aponta que seis em cada dez alunas que menstruam relatam cólicas moderadas ou fortes que atrapalham a rotina escolar; cerca de quatro em cada dez faltam às aulas mensalmente por dor.
- O texto ressalta que meninos não menstruam, mas convivem com quem menstrua, e a educação precisa incluir o tema para reduzir preconceitos, humilhações e violência de gênero.
Beatriz, 17 anos, participou do painel realizado em Brasília entre 26 e 28 de maio, durante o evento Ser menina não deveria doer, promovido pelo Instituto Alana. O objetivo foi levar a discussão sobre dignidade menstrual também aos meninos, fortalecendo empatia e cooperação escolar. Outros participantes foram Vicente e Miguel, ambos com 15 anos, e Felipe Fortes, médico que atua como hebióta. A organizadora Carolina Delboni conduziu a roda de conversa.
O debate mostrou que meninos devem entender o que acontece no corpo das meninas. A ideia é romper com a visão de que menstruação é assunto exclusivo das mulheres, tornando a escola espaço de educação sobre saúde, corpo, dor menstrual e convivência respeitosa.
A conversa se conectou à Semana Internacional da Dignidade Menstrual e à necessidade de envolver meninos na educação sobre o tema. O evento abordou health, infraestrutura, acesso à informação e permanência escolar, indo além da disponibilização de absorventes.
Dados que ajudam a entender a pauta
A PeNSE 2024 aponta que 15,3% das adolescentes de 13 a 17 anos faltaram à escola pelo menos um dia por absorvente. Na rede pública, o índice é 16,9%; na privada, 6,4%. No Amazonas, a falta atinge 27,9%. A falta de itens básicos impacta a permanência escolar.
Outra pesquisa, realizada pelo Alana em parceria com a Equidade.info, mostra que seis em cada dez estudantes menstruantes relatam cólicas moderadas ou fortes que atrapalham a rotina, levando a ausências mensais. Entre as causas estão ainda cansaço, dores, vergonha e falta de higiene.
Por que meninos importam na prática
Os dados indicam que 36,8% dos estudantes do sexo masculino não costumam pensar sobre menstruação, em contraste com o grupo feminino. O estudo também mostra que apenas cerca de um quarto dos meninos acredita que a menstruação pode atrapalhar a escola, enquanto mais de 40% das alunas percebem esse impacto.
A participação dos meninos na roda de conversa reforça que a convivência escolar é compartilhada. Entender o ciclo, a dor e a necessidade de apoio evita humilhações, vazamentos e ridicularizações. A educação sobre o corpo das colegas se torna responsabilidade de toda a comunidade escolar.
Avanços e perspectivas
O debate enfatiza que dignidade menstrual não se resume à distribuição de absorventes. Envolve saúde integral, educação, infraestrutura, e convivência de gênero. Meninos precisam aprender sobre o próprio corpo e o corpo alheio para construir masculinidades mais saudáveis.
A proposta é manter espaços de diálogo entre alunos, professores e gestores, promovendo empatia, responsabilidade e redes de cuidado dentro da escola. O objetivo é ampliar a compreensão sobre como a escola e a saúde pública moldam a experiência de meninas e adolescentes menstruantes.
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