- O reitor da USP, Aluísio Segurado, afirma que a greve tem motivação eleitoral e extrapolou pautas universitárias, incluindo denúncias a temas fora da gestão da universidade.
- As negociações envolvendo o auxílio permanência não chegaram a acordo: as estudantes pleiteavam o valor do salário mínimo paulista, inicialmente, e a pedidos recentes variaram; a universidade diz ter chegado a um limite com a proposta de 912 reais mensais.
- A USP tem orçamento de 9,41 bilhões em 2026 e gasta cerca de 460 milhões por ano em políticas de permanência estudantil, considerado o maior valor entre universidades brasileiras.
- Sobre o Crusp, a universidade discute intervenções na moradia estudantil, podendo usar reservas para obras mediante acordo com moradores, que seriam obrigados a deixar os apartamentos por tempo variável.
- O calendário acadêmico pode sofrer reorganizações, com o segundo semestre previsto para começar em 3 de agosto; a reitoria promete criar uma comissão permanente de diálogo com estudantes para evitar crises futuras.
O reitor da USP, Aluísio Segurado, afirma que ceder às demandas estudantis dificilmente encerraria a greve que já dura semanas. Segundo ele, o movimento tem ligação com interesses eleitorais no estado, além de insatisfação acadêmica.
Segurado destaca que, desde o início de seu mandato, a percepção sobre a greve já apontava para disputas políticas. Um ato próximo ao Palácio dos Bandeirantes foi anunciado por entidades estudantis para cobrar investimentos no ensino público paulista.
Ele afirma que, nesse contexto, as pautas extrapolam a vida universitária, incluindo questões como a revisão da escala de trabalho 6×1 e manifestações sobre o conflito entre Israel e Palestina. Segundo o reitor, líderes das mobilizações costumam vestir camisetas de movimentos apoiados por partidos.
Avanços e impasses nas negociações
A greve chega à sexta semana, com protestos, invasão de reitoria e atuação policial para desocupar o prédio. O tema central continua sendo o valor das bolsas do Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil (Pafpe).
Os estudantes inicialmente reivindicavam o equivalente ao salário mínimo paulista para o benefício. A demanda foi ajustada ao longo das negociações, passando a situar o valor em 1.096 reais mensais, frente a 885 reais pagos hoje.
Segurado afirma que a universidade chegou ao limite ao oferecer 912 reais, reajuste apenas da inflação desde 2022, conforme IPC-Fipe. Ele ressalta que sustentar valores permanentes exige orçamento anual estável.
Finanças, reservas e moradia estudantil
Questionado sobre críticas de que a USP possui reservas para ampliar a permanência estudantil, o reitor diz que a decisão sobre uso de recursos cabe à instituição. O orçamento total de 2026 é de 9,41 bilhões de reais, com cerca de 460 milhões direcionados hoje a permanência estudantil.
A questão da moradia estudantil, especialmente o Crusp, também está no centro do debate. Segurado admite acelerar obras, mas ressalta que mudanças dependem de acordo com os residentes e de reavaliações de prioridades.
A universidade avalia usar parte de reservas para “acelerar” intervenções no conjunto residencial, desde que haja acordo para desocupação de moradores temporária. Não são apresentadas estimativas de custo ou cronograma neste momento.
Calendário acadêmico e próximos passos
A greve impacta o calendário, com reorganização de horários em várias unidades. Mais da metade das faculdades já retomou as atividades, e muitos alunos retornaram às aulas. Algumas áreas devem usar parte das férias de julho para reposição de conteúdos.
O segundo semestre está previsto para começar em 3 de agosto. A reitoria aponta que as atividades serão ajustadas para evitar prejuízos acadêmicos, sem manter a paralisação.
Uma comissão permanente de diálogo com estudantes está nos planos da administração, inspirada em modelos existentes com servidores. Segurado afirma que a negociação não é ceder a imposição, e que a via institucional deve prevalecer.
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