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Volta do cofrinho: ensinando o valor do dinheiro na era do Pix

Especialistas alertam que o dinheiro digital invisibiliza o valor; sugerem cofrinho e dinheiro vivo para ensinar educação financeira às crianças

Ilustração mostra mão desenhada colocando moeda dourada em cofrinho rosa em formato de porco. Duas pilhas de moedas douradas estão ao lado do cofrinho. Fundo é composto por formas geométricas coloridas em azul, lilás e bege.
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  • A invisibilidade do dinheiro digital, com Pix, torna mais difícil para as crianças entenderem o valor; especialistas recomendam voltar a dinheiro em espécie e cofrinho para ensinar nos primeiros anos.
  • Pesquisas indicam o “cashless effect”: pagamentos digitais reduzem a percepção de custo e a materialidade do dinheiro pode atrair menos atenção, o que impacta adultos e crianças.
  • É importante explicar o que está por trás das transações, mostrando que o dinheiro sai da conta quando se usa Pix ou cartão, e que é preciso trabalhar para ganhar dinheiro.
  • Recomendações para educação financeira: priorizar moedas até os dez anos, usar cofrinho transparente, registrar entradas e saídas e combinar recursos visuais para acompanhar a poupança.
  • Dicas práticas para pais e professores: dividir objetivos com copos ou envelopes, criar lista de desejos, envolver a criança em decisões de compra e adaptar mesada ou semanada conforme a idade.

A educação financeira das crianças ganha destaque com a popularização do Pix e dos pagamentos por aproximação. Especialistas ressaltam que a invisibilidade do dinheiro digital dificulta a compreensão do valor entre os pequenos e cobram ações práticas para reforçar a relação com o dinheiro desde cedo.

Pesquisadores apontam que a criança precisa de concretude para aprender finanças. Física ou digital, o dinheiro é um mediador das trocas e exige explicação dos adultos para evitar que pareça apenas “magia”.

Para especialistas, a mudança não é apenas tecnológica, mas pedagógica. Explicar o que acontece nos bastidores de cada transação ajuda a manter o entendimento sobre renda, gasto e poupança.

Como ensinar o valor do dinheiro de forma prática

Ainda segundo os especialistas, sacar dinheiro em espécie e manter um cofrinho transparente ajudam a visualizar a acumulação e o gasto. A materialidade facilita o raciocínio sobre valor e prioridades.

O estudo revela que 82% das transações no Brasil são digitais, o que reforça a necessidade de métodos que tragam a noção de processo por trás das compras. Conversas diárias ajudam a reduzir o distanciamento.

Cássia D’Aquino destaca a importância de transformar o mundo financeiro em linguagem acessível, explicando que cada Pix representa saída de dinheiro da conta familiar. A prática ajuda crianças a entenderem limites e metas.

Dicas práticas para famílias

1. Antes do Pix, as moedas: use cédulas e moedas até os 10 anos para visualização do dinheiro em circulação.

2. Divida o dinheiro em objetivos: gastar agora, guardar e metas especiais.

3. Cofrinho transparente: facilita acompanhar entradas e saídas.

4. Lista de desejos: revisite itens após alguns dias para evitar impulsos.

5. Envolva a criança em decisões de compra no supermercado, com orçamento visível.

6. Explique como funcionam as transações: trabalho, renda e tempo de ganho.

7. Mesada ou semanada: ajuste conforme a idade; até 11 anos, semanal.

8. Permita erros: frustrações controladas geram aprendizado.

9. Evite ligar mesada a tarefas domésticas básicas; finanças não devem premiar obrigações.

10. Recompense o hábito de poupar com pequenos incrementos financeiros.

11. Ferramentas digitais com acompanhamento: mesada, contas e cartões pré-pagos.

12. Evite que consumo seja único recurso emocional: dialogue sobre escolhas e emoções.

13. Dê o exemplo: explique suas próprias decisões financeiras e comparação de preços.

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