- O piloto envolve cem escolas municipais do Rio desde o início de maio, com 240 alunos do 8º e 9º ano.
- A plataforma Nomo, criada pelo economista brasileiro Leonardo Bursztyn, da Universidade de Chicago, usa gamificação para reduzir o tempo nas redes sociais, oferecendo prêmios.
- Em estudo de campo, a maioria dos calouros reduziu o uso diário de redes para menos de uma hora por dia em duas semanas, e houve queda de quarenta e sete por cento em sintomas de depressão.
- O projeto reúne Brasil, Reino Unido e Estados Unidos; no Rio, a turma premiada ganhou visita ao Centro de Treinamento da Seleção Brasileira de Vôlei.
- A abordagem é vista como uso positivo da tecnologia para hábitos saudáveis, em vez de proibição; debate sobre restrição de redes para menores de 16 anos ganha espaço no Brasil.
O projeto piloto que busca reduzir o tempo de tela entre jovens chega ao Brasil. Professores e alunos de Cem escolas municipais do Rio de Janeiro participam desde o início de maio de uma iniciativa gamificada para trocar horas no celular por experiências no mundo real. A ação envolve estudantes do ensino fundamental 2, famílias e a plataforma Nomo, criada pelo economista brasileiro Leonardo Bursztyn, da Universidade de Chicago.
O Nomo funciona como um jogo de recompensas. Cada usuário e cada turma acumulam pontos, chamados de “momentos”, ao reduzirem o tempo no celular. Esses pontos podem ser trocados por ingressos de cinema, cupons de lojas, plantio de árvores ou assinaturas de apps educativos, como o Duolingo. O objetivo é incentivar hábitos saudáveis sem bloquear o uso das tecnologias.
O projeto no Rio faz parte de uma parceria com a Secretaria Municipal de Educação. O experimento envolve 240 alunos do 8º e 9º ano, que passam a ter incentivos extras para se desconectar dentro e fora da escola. Em sala, o uso do celular é desestimulado, enquanto o Nomo oferece recompensas por ações no tempo livre conectado.
Resultados iniciais
Os primeiros dados indicam redução no tempo diário de uso de redes sociais entre os estudantes participantes. Um dos alunos, Nicolas de Carvalho Santos, relatou que deixou de usar Instagram e TikTok para ganhar prêmios e participar de atividades presenciais com a avó. As turmas com adesão expressiva já foram premiadas com visitas a eventos esportivos da seleção brasileira.
O estudo de campo já apontou impactos positivos na percepção de saúde mental. Participantes relataram diminuição de sintomas de depressão após duas semanas de uso da plataforma. Na escola, houve melhoria de concentração e desempenho.
Expansão e perspectivas
O piloto nacional envolve equipes no Reino Unido e nos Estados Unidos, ampliando o estudo da eficácia da plataforma. A expectativa é avançar para outras redes municipais, com avaliação contínua de impactos no comportamento digital, na saúde mental e no rendimento escolar.
A adoção do Nomo é defendida por especialistas como ferramenta complementar a políticas públicas. O objetivo é transformar a relação das crianças com a tecnologia, evitando apenas o banimento e promovendo hábitos sustentáveis de uso.
Entre na conversa da comunidade