- O levantamento aponta que 37,1% das alunas faltam às aulas mensalmente por dores menstruais, e 6 em cada 10 relatam cólicas moderadas ou fortes que atrapalham a rotina escolar.
- A cólica é o principal sintoma relacionado às faltas, citado por 57,7% das pesquisadas; outros sintomas incluem cansaço, dor de cabeça, dor abdominal e vergonha de vazamento.
- Desigualdade racial: 14,5% das estudantes negras faltam de 2 a 5 dias por mês por causa da menstruação, contra 9,6% das brancas; cólicas fortes são relatadas por 25,9% das negras e 37,5% das brancas.
- Desigualdades regionais: Norte e Centro-Oeste apresentam maiores faltas por falta de infraestrutura e de produtos de higiene, como banheiros e absorventes.
- Menarca precoce: 65,2% menstruaram até os 11 anos, 36,5% até os 10 anos; há relação entre idade da primeira menstruação e maior intensidade das cólicas.
Um levantamento do Instituto Alana, em parceria com o Instituto Equidade.Info, aponta que 37,1% das alunas do ensino fundamental e médio faltam às aulas por causa de dores menstruais, com cólicas moderadas ou fortes. Dados foram divulgados na quarta-feira (27 de maio de 2026), véspera do Dia Internacional da Dignidade Menstrual.
A pesquisa mostra ainda que 60% das estudantes que menstruam relatam cólicas que atrapalham a rotina escolar. O sintoma mais citado é a cólica, presente em 57,7% das entrevistadas, seguido por cansaço, dores no corpo e dores de cabeça.
O estudo enfatiza que o absenteísmo pode prejudicar a aprendizagem e o vínculo com a escola. O Alana defende que a dor menstrual seja tratada como problema coletivo, com protocolos para justificar faltas e orientar docentes.
Desigualdades Raciais
Entre as alunas negras, 14,5% faltam de 2 a 5 dias por mês devido à menstruação, enquanto o índice entre as brancas é de 9,6%. As negras relatam menor intensidade de cólicas fortes, 25,9%, versus 37,5% entre as brancas. Ainda assim, a dor impacta a escolaridade.
A direção da instituição aponta a necessidade de reconhecer a dor menstrual como questão social, não apenas individual. Dados sugerem subnotificação entre meninas negras, possivelmente ligados a fatores culturais.
Desigualdades Regionais e Infraestrutura
Regiões Norte e Centro-Oeste apresentam maiores dificuldades de infraestrutura para meninas, com falta de banheiro e de absorventes contribuindo para faltas. No Norte, 18,9% citam a ausência de condições; no Centro-Oeste, o índice chega a 30,2%.
Em Brasília, iniciativas locais trouxeram arrecadação de absorventes para uma escola da Vila Planalto, atendendo estudantes por seis meses. O movimento também contemplou educação em saúde para as alunas.
Menarca, Educação e Prevenção
O estudo aponta menarca precoce como fator relacionado ao agravamento de cólicas. Entre meninas que menstruaram aos 10 anos, 43% relataram cólicas fortes, contra 27% para menarca aos 11 ou 12 anos. A pesquisa recomenda educação sobre saúde menstrual já nos anos iniciais.
O Alana defende que o tema seja incorporado ao currículo escolar antes da primeira menstruação, para reduzir impactos na frequência, concentração e participação esportiva.
Trabalhadoras da Educação e Percepção
Entre gestoras escolares, 28,3% relatam cólicas fortes e 16,9% faltaram por motivos menstruais. Entre professoras, 15,8% denunciam cólicas fortes e 12,1% ausências por mesma razão. A desigualdade pode refletir acesso a diagnóstico e tratamento.
Participação de Meninos e Estigma
Entre estudantes do sexo masculino, 36,8% não costumam discutir o tema, frente a 19,7% entre as meninas. Ainda assim, 41,2% das meninas percebem impacto da menstruação na escola, contra 23,7% dos meninos. Especialistas defendem maior participação masculina.
Implicações para a Saúde e a Educação
O estudo alerta para consequências além da escola, como atraso no diagnóstico de doenças, incluindo endometriose, que afeta cerca de 1 em cada 10 mulheres. A normalização da dor pode dificultar a identificação precoce de problemas de saúde.
Ao final, o Alana recomenda ações integradas em saúde, currículo e infraestrutura escolar para garantir o direito à aprendizagem e reduzir desigualdades educacionais, com foco nas estudantes mais impactadas.
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