- Médicos residentes do Hospital do Servidor Público Estadual, em São Paulo, relatam jornadas de até 90 horas por semana, acima do limite legal de sessenta horas.
- Informam plantões de doze horas sem almoço ou pausa para beber água, trabalhando das seis da manhã às seis da tarde de segunda a sexta, sem registro de ponto, com relatos de exaustão, depressão e ansiedade e de desalento entre colegas.
- A denúncia foi encaminhada ao Conselho Nacional de Residência Médica, órgão do Ministério da Educação; o MEC/CNRM notificou o hospital e o Cerem realiza fiscalização, com apuração em andamento.
- O Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual afirma seguir a legislação, prestar esclarecimentos e destaca que o programa de residência é referência, com sete mil cento setenta e cinco candidatos para duascentas e trinta e oito vagas em 2026 e apenas quatro desistências.
- A lei que rege a residência médica, de 1981, determina carga horária máxima de sessenta horas semanais, com até vinte e quatro horas de plantão, um dia de folga por semana e férias anuais; o Sindicado dos Médicos de São Paulo aponta recorrentes violações no hospital.
Residentes do Hospital do Servidor Público Estadual, em São Paulo, denunciam jornadas de até 90 horas semanais, acima do limite legal de 60 horas. A queixa foi apresentada ao CNRM, órgão do MEC, envolvendo as residências de ortopedia, neurocirurgia, cirurgia geral, otorrinolaringologia e ginecologia/obstetrícia.
Os médicos relatam exaustão física e psicológica, sem registro de ponto, com plantões de 12 horas e horários das 6h às 19h de segunda a sexta. Segundo eles, a rotina compromete a qualidade do atendimento e a formação profissional.
A denúncia foi protocolada junto ao MEC pelo CNRM, que notificou o hospital e abriu fiscalização com o Cerem. A apuração visa verificar irregularidades e eventual adoção de medidas cabíveis.
O Iamspe, gestor do hospital, afirma seguir a legislação e colaborar com a investigação. Em nota, sustenta que o programa de residência é reconhecido nacionalmente e que a desistência entre residentes é baixa.
Em defesa, o sindicato dos médicos de São Paulo aponta dificuldades de financiamento e reposição de quadros no hospital. A entidade diz que as condições se repetem em outras unidades, não apenas no servidor público estadual.
Dados do MEC mostram que, no último processo seletivo, o programa de residência do Iamspe recebeu 7.175 inscritos para 238 vagas em 2026, com apenas quatro desistências registradas.
Segundo relato de profissionais, a formação clínica fica comprometida quando o residente acumula responsabilidades de supervisão sem supervisão adequada, elevando riscos para pacientes e garantindo pressão institucional sobre os futuros médicos.
O caso permanece em apuração. O MEC informa que o CNRM recebeu a denúncia em 13 de março, com esclarecimentos apresentados três dias depois, e a fiscalização prossegue para apurar irregularidades.
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