- Professores da CNTE reivindicam restituição de um sistema de previdência solidário, aumento salarial de 100% e a reintegração de docentes demitidos, intensificando protestos dias antes da abertura da Copa do Mundo no México.
- As manifestações incluem marchas, bloqueios e ocupações em frente a órgãos públicos, com a possibilidade de interromper o início do torneio em Cidade do México.
- O governo informou sessões de diálogo, propôs fortalecer a PENSIONISSSTE e criar uma seguradora pública de pensões, mas as propostas foram recusadas pelos docentes.
- Também houve oferta de aumento salarial progressivo (10% em 2025 e 9% em 2026), que não convenceu a CNTE.
- Além de sediar a abertura, a cidade recebe outras partidas da Copa; autoridades suspenderam atividades federais e a UNAM também adiou atividades em decorrência dos protestos.
Entre protestos e a abertura da Copa do Mundo, docentes no México intensificam reivindicações. As ações ocorrem dois dias antes do início do torneio, com a Cidade do México como palco. Os protestos visam influenciar políticas públicas, enquanto o país recebe partidas da competição.
A CNTE, especializada coordenação dos trabalhadores da educação, exige resposta a uma lista entregue em 1º de maio. A pauta inclui a revogação da lei do ISSSTE e reformas educacionais, além de exigir previdência estatal solidária, aumento salarial e reintegração de professores demitidos.
Desde o mês passado, marchas, bloqueios de ruas, ocupações de pedágios e protestos diante de prédios públicos aumentaram tensões com a polícia. O governo de Claudia Sheinbaum afirma dialogar, apresentando propostas, sem acordo até o momento.
A CNTE diz que tem presença forte em estados como Oaxaca, Chiapas, Veracruz, Michoacán, Guerrero e a Cidade do México. Em 2013 houve protesto semelhante contra reformas educacionais promovidas por Peña Nieto.
O que está em jogo
A lista de reivindicações aponta para a revogação de leis relacionadas ao ISSSTE, aprovada em 2007, e desaprovação de reformas educacionais. A CNTE também defende o retorno a um sistema de previdência financiado pelo Estado e salários maiores.
No passado, o governo prometeu mudanças, inclusive ao iniciar o mandato de López Obrador. A CNTE argumenta que as promessas não se traduziram em ações efetivas até agora.
Conforme a CNTE, a situação exige ações que proporcionem condições de vida dignas para os docentes. A CNN contatou a entidade para entrevista, mas ainda aguarda resposta.
A posição do governo
Claudia Sheinbaum afirmou que o governo não dispõe de recursos para atender a todas as reivindicações. Em 18 de março, durante a divulgação da pauta, a prefeita ressaltou que algumas demandas são possíveis dentro do orçamento e outras não.
Segop, SEP e ISSSTE mantiveram diálogos com líderes sindicais para tentar acordo. Em 4 de junho, o governo propôs fortalecer a PENSIONISSSTE e criar uma seguradora pública para pensões, proposta rejeitada pela CNTE.
Três dias depois, o governo reiterou propostas, incluindo aumento salarial de 10% em 2025 e 9% em 2026, sem convencer totalmente os docentes. A CNTE mantém resistência a caminhos apresentados.
Nesta semana, a CNTE ameaçou intensificar protestos na quinta-feira, dia de abertura da Copa. Sheinbaum recomendou diálogo e assegurou que não haverá repressão, destacando a presença de fatores externos que poderiam “provocar” autoridades.
Cenário para a abertura da Copa
A CNTE planeja uma grande marcha até o Estádio Azteca na quinta-feira. Outros setores, como transporte e indústria alimentícia, também devem se manifestar. Mães de desaparecidos também esperam participação, cobrando prioridade na agenda pública.
O governo da Cidade do México, liderado por Clara Brugada, reiterou o compromisso com a cerimônia de abertura e com o direito de protesto. Entretanto, medidas de segurança e organização estão sendo ajustadas para evitar transtornos.
A prefeitura suspendeu atividades de órgãos federais durante a semana da abertura, visando reduzir impactos logísticos. A UNAM também adiou parte de suas atividades para colaborar com o evento esportivo.
Especialistas observam que o contexto da Copa facilita a utilização da pauta por diferentes atores. A CNTE busca maior espaço de negociação, enquanto o governo tenta manter a cerimônia estável e respeitar o direito de manifestação.
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