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Denis Mizne: grande lobby do ensino superior e falta de voz para crianças

CEO da Fundação Lemann defende prioridade ao ensino básico, aceleração do CNCA, programa de matemática e ensino integral, e aponta lobby do ensino superior e ausência de voz para as crianças

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  • Denis Mizne defende priorizar o ensino básico, critica o lobby do ensino superior e a falta de defesa pelas crianças, que representam 85% das estudantes da rede pública.
  • Propõe acelerar o Compromisso Nacional Criança Alfabetizada (CNCA) e criar um programa similar para matemática, com colaboração entre estados, municípios e o governo federal.
  • Em relação ao ensino integral, ele defende que todos os alunos tenham pelo menos sete horas de aula diárias, com foco no fundamental 2 e infraestrutura necessária.
  • Sugere adaptar o modelo de alfabetização para incorporar a matemática, usando o mesmo arcabouço já existente, com possível decreto similar (não obrigatoriamente via Congresso, mas com mais segurança jurídica).
  • Destaca a importância de uma liderança política comprometida com educação, bem como o alinhamento entre governos estaduais e municipais para mapear vagas, organizar a rede e manter professores em tempo integral.

Denis Mizne, CEO da Fundação Lemann, defende prioridades no ensino básico para acelerar resultados no país. Em entrevista ao Estadão, durante o Brasil Adiante, ele aponta necessidade de ampliar o foco na alfabetização, na matemática e no ensino integral.

Segundo Mizne, há captura de recursos pela rede de ensino superior e pouca voz pelos alunos do básico, que somam 85% das crianças. A proposta é acelerar o Compromisso Nacional Criança Alfabetizada e criar um programa similar para matemática.

Ele descreve três medidas prioritárias para os primeiros 24 meses de um novo governo: acelerar o CNCA, expandir para a matemática e ampliar o tempo integral no fundamental 1 e 2, com pelo menos sete horas de aula diárias.

O conceito para alfabetização já está estruturado em lei desde este ano. A ideia é estabelecer metas mais ambiciosas, buscando 100% de alfabetização e incorporar a matemática nesse arcabouço, mantendo o regime de colaboração com estados e municípios.

Sobre o ensino da matemática, Mizne sugere transformar o que já existe no Compromisso Nacional Toda Matemática em prática concreta, ancorando-o a um decreto similar ao da alfabetização para dar maior segurança institucional.

Para a implementação, ele destaca que o país já tem base legal para o tema, e que mudanças mais efetivas dependem da melhoria da execução nos Estados e municípios, com apoio à gestão, formação de professores e mapeamento de vagas.

Outra frente é a expansão do ensino integral. Ele afirma que a transição demográfica brasileira facilita reorganizar escolas, reduzir o número de unidades e investir em infraestrutura, com dedicação exclusiva de docentes às escolas.

Quanto ao papel dos professores, Mizne ressalta que a chave não está apenas em leis, mas na implementação prática das políticas, incluindo o papel dos estados e municípios na gestão de professores e escolas.

Sobre o apoio político, ele indica que a liderança em educação é essencial. Sem um compromisso forte do topo, avanços significativos tornam-se mais difíceis, especialmente diante de disputas orçamentárias entre infraestrutura, salários e resultados de aprendizagem.

Questionado sobre resistência à agenda educacional, o CEO aponta uma disputa entre priorizar recursos para infraestrutura, salários ou aprendizagem. Ele cita um lobby no ensino superior como desafio, com menor voz para o ensino básico na definição de recursos.

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