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Geração Z enfrenta desafios para conseguir emprego, dizem especialistas

Mercado exige habilidades comportamentais e rapidez de aprendizado; jovens enfrentam barreiras em entrevistas e na busca pela primeira oportunidade

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  • A tese central é que a dificuldade de jovens no mercado costuma estar na falta de habilidades comportamentais; empresas passam a valorizar mais soft skills como comunicação, adaptabilidade, colaboração e aprendizado.
  • Estudantes relatam dificuldade em chegar às entrevistas, com processos seletivos ainda considerados burocráticos; exemplos citados incluem Carlos Colla e Clara Moreira.
  • Profissionais e entidades internacionais destacam que o mercado busca pessoas que aprendam rápido e consigam lidar com mudanças, com criativas, responsabilidade e empatia entre as competências desejadas.
  • O Senado aprovou um projeto de contrato de primeiro emprego para jovens de 18 a 29 anos sem carteira assinada, com redução de encargos para incentivar a entrada no mercado formal (a sanção depende de decisão presidencial).
  • Sugestões para quem está na primeira entrevista: pesquisar a empresa, narrar experiências relevantes, usar exemplos concretos, evitar respostas prontas, manter boa postura e fazer perguntas sobre a vaga.

O debate sobre a inserção de jovens no mercado de trabalho ganhou novo impulso após um vídeo viral que criticou o comportamento da geração Z em entrevistas. Especialistas em recursos humanos dizem que a barreira pode estar ligada a lacunas em habilidades comportamentais, não apenas à experiência. A importância de soft skills tem sido destacada por analistas ouvidos pela Folha.

Pesquisas e relatos de campo apontam que as empresas valorizam cada vez mais comunicação, adaptabilidade, colaboração e aprendizado rápido. Profissionais do setor afirmam que o mercado não está necessariamente mais exigente, mas sim demanda perfis capazes de se ajustar a mudanças rápidas. Entidades internacionais também enfatizam competências como responsabilidade, criatividade e empatia.

Jovens relatam dificuldades na etapa de entrevista, enquanto processos seletivos costumam exigir preparação que não costuma ocorrer de forma ampla no início da carreira. Estudantes de áreas diferentes relatam poucos contatos com recrutadores, mesmo após envio de currículos. A percepção é de que a experiência prática ainda é a barreira mais comum.

O caso de estudantes do Rio de Janeiro ilustra o cenário: Carlos Colla, 20, busca estágios em televisão e vagas em lojas de artigos esportivos, mas recebe poucas chamadas para entrevistas. Ele já pesquisou sobre currículo e comportamento em seleções, com orientação da família e da universidade.

Outra jovem, Clara Moreira, 20, está perto de concluir a graduação em design gráfico e também aponta dificuldades em chegar à etapa de entrevistas. Ela procura a primeira oportunidade tanto na área quanto em atividades relacionadas ao seu hobby.

Heliana Silva, gerente da SGF Global Brasil, afirma que mudanças no mercado refletem novas formas de relação dos jovens com o trabalho. Ela destaca que o ambiente digital facilita a comunicação, mas pode reduzir a familiaridade com protocolos tradicionais de seleção.

Para Jacqueline Resch, as dificuldades podem refletir diferenças culturais entre gerações. Jovens costumam enxergar o trabalho de forma menos central e costumam discutir salário e qualidade de vida de maneira mais aberta, o que é visto como natural por muitos recrutadores.

A ideia é avaliar se as habilidades valorizadas nas entrevistas tradicionais correspondem ao modo como a geração Z se expressa e desenvolve competências. A não contratação, segundo especialistas, pode ocorrer por incompatibilidade de experiência, lacunas comportamentais ou desalinhamento de expectativas, além da forte concorrência.

No âmbito público, o Senado aprovou, no fim de maio, projeto que cria o contrato de primeiro emprego para jovens de 18 a 29 anos sem carteira assinada. A proposta busca reduzir encargos para empresas que contratarem esses profissionais, ainda aguardando sanção presidencial. O objetivo é ampliar a entrada de jovens no mercado formal.

Como se sair melhor na primeira entrevista, segundo Resch, envolve seis atitudes: pesquisar a empresa, contar a própria história com exemplos, evitar respostas prontas, cuidar da postura, fazer perguntas relevantes e usar situações concretas para demonstrar competências.

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