- Estudo conjunto da Fundação Itaú com MinC, MEC e Inep aponta que materiais pedagógicos de artes ou música nas escolas estão associados a melhor proficiência em matemática e português, com ganhos de até 4,26% e 5,19% respectivamente no 5º e 9º ano.
- Entre 2019 e 2024, a participação de escolas com esses materiais subiu de 36% para 45,1%.
- A proximidade de escolas a equipamentos culturais, como Pontos e Pontões de Cultura, também correlaciona com melhores resultados de aprendizagem, com diferenças de até 17 pontos na escala SAEB em algumas situações.
- A distorção idade-série nos anos finais do ensino fundamental é menor nas escolas que usam materiais de artes ou música, com redução de até 2,58 pontos em 2023, especialmente em contextos socioeconômicos mais baixos.
- Ainda há hoje limitações de infraestrutura, como apenas 3,3% das escolas com ateliês de artes e 1,5% com salas de música ou 0,6% com dança; os resultados ressaltam desigualdades regionais e a necessidade de financiamento estável e formação de professores.
A presença de atividades artísticas nas escolas está associada a melhores resultados em matemática e português, aponta estudo da Fundação Itaú em parceria com o MinC, o MEC e o Inep. Os dados abrangem 2019 a 2024 e destacam ganhos educacionais significativos.
Entre 2019 e 2024, a parcela de escolas com materiais de artes ou música aumentou de 36% para 45,1%. No mesmo período, houve crescimento de até 5% nas proficiências nessas disciplinas, com reduções na distorção idade-série, reprovação e abandono.
Dados mostram ainda impactos positivos em instituições próximas a equipamentos culturais, como Pontos ou Pontões de Cultura. A ligação entre cultura e aprendizado é apresentada como indício consistente, não como causalidade direta comprovada.
Resultados por nível socioeconômico
O estudo aponta menor distorção idade-série nos anos finais do ensino fundamental em escolas que utilizam materiais artísticos. A diferença chega a 2,58 pontos em 2023, especialmente em escolas de menor renda, uma redução relativa de 10,5%.
As taxas de reprovação e abandono também ficam levemente menores nessas unidades, com redução máxima de 1,19% na média de abandono. A trajetória é de efeito positivo, embora modesto, segundo a análise.
Impacto na aprendizagem
A proficiência em matemática e língua portuguesa pode subir até 4,26% e 5,19%, respectivamente, no 5º e no 9º ano, em escolas com materiais de artes ou música. Observa-se melhoria em redes de diferentes níveis socioeconômicos.
Quando se cruza proximidade com espaços culturais, os resultados variam. Em escolas de nível socioeconômico mais alto, a distância até 2 km de Pontos ou Pontões de Cultura pode ampliar a proficiência em até 17 pontos na escala SAEB, em relação às escolas mais distantes.
Contexto nacional e desigualdades
A escala SAEB, que mede desempenho em português e matemática, é apresentada como referência para os resultados de aprendizagem. O estudo reforça que avanços são mais expressivos em áreas de maior vulnerabilidade, mas ainda assim dependem de infraestrutura adequada.
Em 2024, apenas 3,3% das escolas tinham ateliês de artes, e 1,5% possuíam salas de música, evidenciando gargalos de infraestrutura. Bibliotecas ou salas de leitura estavam presentes em 55,9% das escolas.
Formação de professores e financiamento
As fragilidades incluem a formação específica de docentes para artes diversas e a necessidade de financiamento estável, não apenas via editais. A avaliação aponta demanda por estratégias plurianuais para ampliar práticas artísticas.
Panorama regional
Há desigualdades entre estados. Em 2019, o Acre registrava 6% de escolas com materiais de artes; em 2024 esse índice subiu para 9,4%. Em contrapartida, São Paulo tinha 77,3% dessas escolas no mesmo ano, mostrando grande variação regional.
Considerações
Especialistas ressaltam que as linguagens artísticas fortalecem vínculo, pertencimento e interesse dos estudantes, especialmente nos anos finais. Os dados indicam potencial para reduzir desigualdades estruturais em territórios vulneráveis.
Segundo pesquisa Datafolha de 2024, encomendada pela Fundação Itaú e pela Todos Pela Educação, 95% dos pais avaliam que atividades culturais melhoram o desempenho dos filhos, e mais de 80% apoiam ampliação de atividades artísticas e culturais. Em outra iniciativa do MEC, quase 30% dos estudantes ouvidos consideram atividades artísticas centrais para o bem-estar.
Fonte das informações: parceria entre Fundação Itaú, MinC, MEC e Inep, integrada à coletânea Intersetorialidades: Evidências em arte, cultura e educação, divulgada em seminário em Brasília.
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