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O futuro do jornalismo depende de gerações que parecem ignorá-lo

Jovens usam IA e reconhecem limites; o jornalismo precisa dialogar, adaptar formatos e canais para manter relevância e confiança

. - (crédito: Caio Gomez)
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  • Jovens de dezoito a vinte e nove anos acompanham notícias com menor frequência (quinze por cento), em comparação com sessenta e dois por cento das pessoas com mais de sessenta e cinco anos.
  • Quarenta e seis por cento entre adultos jovens dizem receber notícias pelas redes sociais ao menos ocasionalmente; entre os mais velhos, o quadro é diferente.
  • A pesquisa do Comitê Gestor da Internet no Brasil mostra que sessenta e cinco por cento de crianças e adolescentes entre nove e dezessete anos adotaram IA no cotidiano, e sessenta e nove por cento a utilizam para pesquisas escolares; estudo da Nexus e Demà aponta que oitenta e três por cento dos jovens entre catorze e vinte e nove recorrem à IA para pesquisas gerais ou acadêmicas.
  • Jovens demonstram cansaço com hábitos digitais vinculados a IA, com preocupações sobre privacidade, transparência e uso de dados; há desconfiança em relação ao poder das grandes empresas de tecnologia e à economia baseada em IA.
  • O jornalismo precisa dialogar com as novas gerações, oferecendo conteúdos em formatos e canais diferentes; há oportunidade de aprendizado no quarto Data Day da Associação Nacional de Jornais, em dezoito dias, com apresentação de estudo inédito pela Box 1824 com dados do Google.

O jornalismo pode ganhar fôlego com as gerações que mais utilizam IA, mas também são as primeiras a identificar seus limites. Jovens consumem informação em formatos variados e ainda questionam a qualidade e a humanidade das reportagens.

Dados de pesquisas indicam queda no uso diário de veículos tradicionais entre jovens, em contraste com o público acima de 65 anos. Estudos apontam: redes sociais são a principal porta de acesso às notícias para os mais jovens.

O Pew Research Center aponta que 15% dos jovens de 18 a 29 anos acompanham notícias com frequência, ante 62% de quem tem mais de 65. O Reuters Institute observa que 76% dos 18 a 29 anos recebem conteúdo informativo pelas redes sociais.

Formação e confiança

O CGI.br mostra que 65% de crianças e adolescentes entre 9 e 17 anos já adotaram IA no cotidiano, 59% a utilizam para pesquisas escolares. Já a Nexus e Demà indicam que 83% dos jovens de 14 a 29 anos recorrem à IA para estudos.

Por outro lado, há cansaço com práticas de plataformas, coleta de dados e falta de transparência. Jovens sinalizam desconfiança em relação ao poder das grandes empresas de tecnologia e à economia baseada em IA.

Percepções sobre IA e mercado de trabalho

Uma pesquisa da CNBC/SurveyMonkey revela que 37% dos estudantes evitam IA por privacidade e desconfiança na precisão. Outros 36% citam motivos éticos e ambientais, enquanto 65% acreditam que a IA pode reduzir vagas. A Harvard Kennedy School aponta que 70% veem IA como risco às perspectivas de emprego.

O debate ganhou novas dimensões em formaturas nos EUA, onde estudantes reagem a defesas dos benefícios da IA ou a mudanças previstas pelo setor privado. A reação evidencia a tensão entre benefícios e impactos no mercado de trabalho.

O papel da educação e do jornalismo

Apesar disso, as gerações jovens continuam em busca de informação, ainda que afastadas dos canais tradicionais. A educação midiática tornou-se obrigatória na educação básica, com a BNCC incorporando práticas jornalísticas como produção, edição e análise crítica.

Existe uma oportunidade histórica para o jornalismo, que deve dialogar com esse público por meio de formatos diversos. Profissionais destacam a importância de investigação, contextualização e verificação como essência da notícia.

Data Day como ponto de virada

O 4º Data Day, promovido pela ANJ, ocorrerá em 28 de julho na ESPM Tech, em São Paulo. A programação deve explorar como veículos, editores e repórteres podem adaptar-se às novas formas de consumo de notícias.

A Box 1824, com dados do Google, apresentará informações inéditas sobre consumo de notícias pelas novas gerações. O objetivo é mapear caminhos para manter a informação acessível, confiável e humana.

Conclusão informativa

As evidências indicam que jovens não abandonaram a informação, mas afastaram-se dos caminhos tradicionais. O desafio é adaptar formatos, canais e práticas para manter o jornalismo relevante, ético e verificável em meio à tecnologia.

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