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Brizoletas: símbolo da educação gaúcha enfrenta abandono e lacunas de registro

Brizoletas, símbolo da educação gaúcha, sofrem abandono e falta de tombamento, dificultando inventário e preservação

Símbolo da educação gaúcha, brizoletas enfrentam abandono e falta de registros
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  • As brizoletas foram erguidas entre 1959 e 1963 pelo governador Leonel Brizola para ampliar a educação em áreas remotas do Rio Grande do Sul.
  • Mais de 200 mil alunos passaram por salas de aula de ao menos 1.045 escolas erguidas nesses quatro anos, embora o número oficial de unidades seja contestado.
  • Não há cadastro oficial sobre quantas brizoletas ainda existem, onde ficam ou em que condições estão; o governo estadual não as classifica como patrimônio histórico.
  • O Iphan (instituto federal) e o Iphae (instituto estadual) não tombaram as brizoletas remanescentes, deixando a responsabilidade de conservação para municípios pequenos.
  • Em Passo Fundo, a Escola Municipal Padre Vieira brizoleta recebeu projeto de restauro de 200 mil reais, com objetivo de se tornar ponto de cultura; problemas como falta de saneamento e abandono vêm persistindo em várias comunidades.

A brizolita, símbolo da educação gaúcha, enfrenta abandono e poucos registros oficiais. Construídas entre 1959 e 1963 para ampliar o ensino em áreas remotas, elas ajudaram mais de 200 mil alunos em mais de mil salas. A contagem de unidades permanece imprecisa e não documentada oficialmente.

A ausência de inventário dificulta a preservação dessas escolas históricas. Não há dados oficiais sobre quantas brizoletas permanecem de pé nem seu estado atual. Órgãos estaduais afirmam que não há tombamento e que a conservação ocorre caso a caso.

Desafios de preservação

A Secretaria de Obras Pública do estado diz que as brizoletas não aparecem como patrimônio histórico oficial e que a recuperação é tratada conforme necessidade. Não há registro de tombamento pelo Iphae nem pelo Iphan para essas construções.

Izabel Matte, secretária de Obras, destaca que as estruturas, erguidas com rapidez e materiais simples, enfrentam dificuldades para atender normas atuais de acessibilidade, segurança contra incêndios e planos diretores. Em Porto Alegre, parte das estruturas ainda funciona.

Casos em cidades do interior

Em Passo Fundo, a Escola Municipal Padre Vieira, tombada nos anos 1990, está em processo de restauração. O prédio sofreu danos estruturais após invasões, depredações e desgaste do telhado, agravados pela queda de uma árvore. O orçamento estimado é de 200 mil reais.

O plano inclui restauro com materiais originais, acrescentando banheiros, acessibilidade, iluminação externa e câmeras de vigilância, com a meta de transformar o espaço em ponto de cultura federalmente habilitado.

Em Guaporé, a Escola José Alberto Lucatelli permanece parcialmente preservada, mas a reforma não saiu do papel. Madeiras para o restauro chegaram a ser encaminhadas há cerca de quatro anos, porém a obra não foi concluída. A prefeitura busca novos recursos para avançar.

Perspectivas e participação da comunidade

O arquiteto Jorge Luis Stockler defende a atuação conjunta de Iphan e Iphae para inventariar as brizoletas e traçar uma estratégia de recuperação. A ideia é reconhecer a importância histórica dessas edificações para o conjunto da região Sul.

Em comunidades do interior, o êxodo rural e a queda no número de moradores com ligação direta aos imóveis dificultam a preservação. O desafio é manter o valor histórico sem comprometer a funcionalidade das escolas onde ainda cabem atividades.

O município de Passo Fundo planeja ampliar o diálogo com a comunidade para fortalecer o restauro e viabilizar a certificação como espaço cultural. A ideia é resgatar memórias locais e promover turismo rural em torno dos prédios remanescentes.

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