- O projeto começou na Penitenciária Adriano Marrey, em Guarulhos, com 11 kits doados e aulas semanais de crochê, visando reinserção social e geração de renda para públicos vulneráveis.
- A primeira visita ocorreu na Penitenciária; foram levadas agulhas sem ponta e, no primeiro dia, 11 homens aguardavam a aula; a direção temia riscos, mas o idealizador defendia ocupar o tempo ocioso dos internos.
- O projeto evoluiu para a escola Ponto Firme, com apoio da Brasil Foundation, expandindo para atender mulheres, pessoas resgatadas de trabalho análogo à escravidão, refugiados e imigrantes, com suporte do Ministério Público.
- A escola chegou a sessenta alunos, com turmas manhã e tarde, e formou monitores entre os alunos; alguns passaram a atuar na produção dentro da própria instituição.
- Em 2015, a transição para marca e ateliê ocorreu; hoje o ateliê sustenta a marca, produzindo roupas de festa exclusivas e peças únicas, mantendo no time alunos do primeiro grupo e sem reincidência.
Um projeto que começou ensinando crochê dentro de uma penitenciária ganhou asas e se tornou escola, ateliê e passagem para as passarelas. A história é contada pelo estilista Gustavo Silvestre no programa Divã de CNPJ, do Canal UOL.
Tudo começou com 11 kits doados e aulas semanais na Penitenciária Adriano Marrey, em Guarulhos (SP). Ao longo dos meses, a ação migrou para a reinserção de ex-detentos e para a geração de renda para públicos vulneráveis. O objetivo era ocupar o tempo dos internos com atividades produtivas.
O início ocorreu após conversas com a direção da casa prisional, que analisou o risco de segurança das agulhas. A resposta foi manter o foco no tempo ocioso dos detentos, que passava a ser utilizado de forma construtiva. A experiência mostrou que o ambiente penitenciário é reduzido em tempo útil.
Com o tempo, o projeto ganhou demanda e estrutura. Foi criada a escola Ponto Firme, apoiada pela Brasil Foundation, em um espaço na região da República, no centro de São Paulo. A iniciativa abriu espaço para mulheres, pessoas resgatadas de trabalho análogo à escravidão, refugiados e imigrantes, com suporte do Ministério Público.
A escola chegou a ter cerca de 60 alunos, com turmas em horários diferentes, e passou a formar monitores entre os próprios estudantes. Os professores passaram a formar outros educandos, ampliando o alcance do ensino do crochê dentro e fora das coleções.
A transição para marca própria e ateliê ocorreu quando Silvestre percebeu que o mercado não contratava os formados. Com a demanda crescente, ele integrou alunos à produção e assumiu o papel de empresário, expandindo para peças maiores, como tapeçarias.
Hoje, o Ponto Firme, iniciado em 2015, sustenta a marca do estilista com produção de roupas de festa exclusivas e peças únicas, com modelagens ajustáveis. Os alunos do primeiro grupo da penitenciária permanecem na equipe, que não registra reincidência.
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