- Pragati Priya, 29 anos, de Jharkhand, vai fazer mestrado em economia global em Roma em setembro.
- A desvalorização da rupia em relação ao euro e a outras moedas elevou o valor do empréstimo que ela precisa.
- Estudantes indianos estão reconsiderando estudar no exterior, com quedas de matrículas na UK e EUA nos últimos anos.
- Nos EUA, as matrículas entre fevereiro de 2025 e fevereiro de 2026 caíram quase 7%; no Reino Unido, 76% das universidades relataram queda nas matrículas de estudantes indianos para o ingresso de janeiro.
- Destinos alternativos na Europa, como Alemanha, Irlanda e Itália, ganham interesse por custos menores e boas oportunidades pós-estudo; Priya escolheu a Itália pela mensalidade mais baixa e duração do curso.
Pragati Priya, de 29 anos, decidiu neste ano ingressar num mestrado no exterior. A jovem, de Jharkhand, leste da Índia, via chegar a Roma em setembro para estudar assuntos econômicos globais. O objetivo é ampliar oportunidades profissionais na Europa.
Porém, o valor do empréstimo tem crescido. O recuo da rúpia frente a moedas de referência, incluindo o euro, elevou o monto das parcelas. Priya teme ficar com uma dívida impagável e cruzou os dedos para conseguir apoio financeiro da família.
Essa prudência traduz o dilema de centenas de milhares de estudantes indianos que saem todos os anos para estudar na Europa, América do Norte e Austrália. Em 2025, mais de 1,2 milhão de indianos já estudavam no exterior.
Dinâmica de demanda e custos
A queixa principal é o custo crescente da educação no exterior, agravado pela desvalorização cambial e pela percepção de perspectivas de emprego menos seguras. Além disso, exigências de visto mais rígidas alimentam a cautela entre famílias de renda média.
Dados de escolas e consultorias indicam queda de matriculas no exterior. No Reino Unido, 76% das universidades reportaram recuo de inscrições indianas para o semestre de janeiro. Nos EUA, houve queda de quase 7% entre 2025 e 2026.
Sukhwani, fundador da Edwise International, aponta queda de 20% nas matrículas nos últimos dois anos nesses destinos-chave, com expectativa de mais declínio entre 10% e 15% no próximo período.
Caminhos alternativos e impactos
A fração de estudantes que já está no exterior também enfrenta ajustes. Muitas famílias refinanciam empréstimos à medida que a rúpia perde valor frente ao dólar; a moeda já recuou entre 35% e 47% frente moedas de grandes destinos desde 2019.
Para alguns formados, a ascensão profissional não acompanha a expectativa de antes. Há relatos de jovens que ingressam em empregos de gig economy para manter a renda, o que reduz o ritmo de carreira.
Enquanto isso, o interesse por países com custos menores e políticas de trabalho pós-estudo mais acessíveis cresce. Alemanha, Irlanda e Itália aparecem como opções mais atrativas por tarifas menores e boas perspectivas de empregabilidade.
Perspectivas para o cenário global
Apesar da pressão cambial, a demanda por educação no exterior permanece relativamente firme. Projeções indicam que, até 2030, as matrículas da Índia nos quatro principais destinos — EUA, Reino Unido, Canadá e Austrália — devem cair, em média, 0,5% ao ano.
Entretanto, destinos europeus emergentes ganham espaço: destinos com custos de estudo mais baixos e caminhos de pós-graduação facilitados ganham apelo entre estudantes indianas e suas famílias.
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