- A expansão do uso medicinal da cannabis no Brasil pode chegar a milhões de pacientes e criar um mercado estimado em até R$ 9,5 bilhões, conforme Kaya Mind.
- Há um gargalo estrutural: não existe formação técnica formal para profissionais da cadeia produtiva, com capacitação ainda descentralizada.
- Não há currículo técnico consolidado para cultivo, processamento, extração, controle de qualidade e desenvolvimento de derivados; a formação ocorre por meio de associações, iniciativas privadas e prática sem integração com universidades ou políticas públicas.
- Em São Paulo, a ACCURA criou o ACCURA ENSINA, braço educacional com cursos presenciais (manejo de solo, extração, manejo de matrizes, agricultura natural, entre outros) e visitas técnicas; a agenda para 2026 já foi anunciada.
- Especialistas destacam que a falta de mão de obra qualificada pode frear a expansão da cannabis medicinal no Brasil, levando o setor a buscar formação privada enquanto não há políticas públicas robustas.
O avanço do uso medicinal da cannabis no Brasil já envolve centenas de milhares de pacientes e pode chegar a milhões nos próximos anos, conforme estimativas da Kaya Mind. A expansão expõe uma lacuna estrutural: a falta de formação técnica formal para profissionais da cadeia produtiva.
As projeções indicam cerca de 873 mil pacientes em tratamento em 2025, com potencial de chegar a 6,9 milhões. O mercado associado pode alcançar cerca de R$ 9,5 bilhões, dependendo da consolidação regulatória e do acesso ampliado.
Apesar da demanda crescer, não existe hoje um sistema estruturado de formação técnica voltado exclusivamente à cannabis medicinal. Atividades como cultivo, processamento, extração, controle de qualidade e desenvolvimento de derivados carecem de currículo técnico consolidado.
Essa capacitação ocorre de modo descentralizado, por meio de associações de pacientes, iniciativas privadas e prática no campo, sem integração com universidades, institutos federais ou políticas públicas de formação profissional.
ACCURA ENSINA surge para suprir lacuna
Em São Paulo, a ACCURA, associação voltada ao apoio de pacientes, lançou o ACCURA ENSINA, braço educacional com cursos presenciais sobre cultivo, manejo de solo, agricultura natural e extração de cannabis medicinal. A iniciativa acompanha a expansão do mercado e a necessidade de profissionalização.
Paula Cardoso Zomignani, fundadora da ACCURA, destacou que o avanço do setor depende de ampliar o acesso ao conhecimento, não apenas ao produto. A associação movimenta cerca de R$ 1,2 milhão por ano, atuando entre atendimento a pacientes, desenvolvimento de metodologias próprias e formação técnica.
A ACCURA ENSINA já confirmou uma agenda de cursos presenciais para 2026, com atividades em julho, agosto, setembro, novembro e dezembro, variando entre manejo de solo, extração e manejo de matrizes, entre outros temas.
Também há visitas técnicas agendadas, com duração de cerca de três horas, para que interessados conheçam a estrutura de cultivo e os processos da associação.
Perspectivas e desafios do setor
A ACCURA afirma que a iniciativa está aberta a investimentos públicos e privados, visando ampliar a capacidade de formação e a expansão nacional. Especialistas apontam que a falta de mão de obra qualificada pode frear a expansão da cannabis medicinal, sobretudo em áreas que exigem padronização, rastreabilidade e controle de qualidade.
Diante desse cenário, iniciativas educacionais privadas começam a ocupar espaço não preenchido pelas políticas públicas, acompanhando um setor em rápido crescimento e ainda em processo de institucionalização.
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