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Entidades criticam MP de Lula que exige nota mínima para alunos de medicina

Entidades criticam MP que estabelece nota mínima no Enamed para registro no CRM, apontando falta de prova prática e disputa sobre a elaboração da prova

José Hiran, presidente do CFM (Conselho Federal de Medicina)
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  • A medida provisória estabelece nota mínima de 60 pontos no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) para registro nos Conselhos Regionais de Medicina, com exame previsto para o 4º e o 6º ano do curso.
  • O Conselho Federal de Medicina (CFM) critica a MP, alegando que ela é insuficiente e que há projeto semelhante em tramitação no Congresso, além de reclamar da ausência de prova prática.
  • Uma das principais críticas é a falta de avaliação prática no Enamed, o que preocupa entidades como a Associação Paulista de Medicina (APM), que teme substituição do internato por cursos preparatórios apenas teóricos.
  • Entidades de ensino defendem a MP, argumentando que a medida aumenta a governança e a coerência do processo de avaliação, enquanto o MEC afirma que a avaliação de cursos e alunos é atribuição legal do órgão.
  • Discute-se ainda quem elabora a prova; o CFM defende que o Enamed seja elaborado pelo conselho, com proposta de manter o Enamed sob supervisão do Inep, ligado ao Ministério da Educação.

A medida provisória que institui nota mínima no Enamed para o exercício da medicina gerou reação de entidades da categoria. O texto determina que estudantes atinjam 60 pontos, no mínimo, para obter o registro no CRM, ao fim do curso. A regra vale já, mas depende de análise do Congresso em até 120 dias.

O Conselho Federal de Medicina classifica a MP como insuficiente e ressalta que o tema já tramita no Legislativo. O presidente do CFM afirma que a proposta falha ao não contemplar a prática clínica, elemento essencial da formação médica.

A MP estabelece que o exame seja aplicado no 4º e no 6º ano da graduação. Além disso, o Enamed, de 100 questões, cobre áreas como clínica, cirurgia, ginecologia e obstetrícia, pediatria, saúde da família, saúde mental e saúde coletiva.

Críticas do CFM e da AMB

O presidente do CFM sustenta que não houve participação suficiente de entidades na elaboração. Alega que o Enamed não deve apenas avaliar conhecimentos teóricos, mas também técnicas, para evitar que carreira médica seja apenas acadêmica. A proposta pode favorecer cursos de preparação para provas, sem prática suficiente.

A APM aponta relatos de instituições que, diante do desempenho fraco no Enamed, substituem parte do internato por cursos teóricos de preparação. A crítica é que esse caminho comprometeria a formação prática essencial.

Ponto de divergência sobre a produção da prova

A MP mantém a responsabilidade do Inep na elaboração do Enamed, ligado ao MEC. O CFM defende que a prova seja criada pelo próprio órgão regulador da medicina, sugerindo o Profimed como alternativa. Outra posição sustenta que a avaliação deve priorizar qualidade institucional.

César Fernandes, presidente da AMB, defende melhorias na MP, incluindo a prova prática e maior participação de instituições de ensino. Ele afirma que a política de formação médica deve ser consolidada como relação de Estado, não de governo.

Visão das universidades e do MEC

Entidades representando as universidades veem a MP como positiva, alegando maior coerência na aplicação do exame e maior relevância do Enamed. A ABMES elogia regras de transição previstas e a previsibilidade para instituições e estudantes.

O MEC afirma que a avaliação de cursos e alunos é atribuição legal do ministério e que a medida amplia o monitoramento da qualidade da formação médica em todo o país. A gestão ressalta que todas as instituições devem estar sujeitas a avaliações baseadas em resultados.

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