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Mercado de trabalho e desinteresse pelos estudos freiam índices no Brasil

Desinteresse pela escola e entrada precoce no mercado de trabalho freiam a taxa de jovens de 15 a 17 anos na série adequada, apesar de avanços frente ao período pré-pandêmico

“Precisamos levar nossas escolas para o século 21, especialmente agora, com o advento do uso da inteligência artificial” Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
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  • Em 2024, a escolarização entre crianças de 6 a 14 anos ficou em 99,5%, estável desde 2016, enquanto a de 15 a 17 anos caiu para 93,4%, abaixo da meta do PNE.
  • Entre 6 a 14 anos, 94,5% frequentaram o ensino fundamental; entre 15 a 17 anos, 80,6% frequentaram ou concluíram o ensino médio, alta em relação à pré-pandemia, mas ainda abaixo dos 85% do PNE.
  • Especialistas atribuem os índices baixos a fatores como entrada precoce no mercado de trabalho (incluindo informal) e a distância entre a escola e as expectativas dos jovens.
  • Sobre o novo ensino médio, ainda é cedo para medir impactos; em 2025, 80,6% dos jovens de 15 a 17 estavam na série adequada, frente a 71,4% em 2019, mas com desigualdade racial: 84,9% para brancos e 77,8% para pretos e pardos.
  • Propõem-se modernizar a educação com maior uso de tecnologia e atividades como esportes, artes e projetos sociais, além de valorizar o magistério e tornar a escola mais conectada ao mundo atual.

A educação brasileira encara queda no interesse de jovens pelo estudo, apesar de avanços na escolarização. Em 2024, 99,5% de crianças de 6 a 14 anos estavam na escola, ante 99,2% em 2016, mas apenas 93,4% dos jovens de 15 a 17 frequentavam ou concluíram o ensino médio. O índice fica abaixo das metas do PNE.

Entre crianças de 6 a 14 anos, 94,5% estavam no ensino fundamental, o menor valor desde o início da série histórica em 2016 e abaixo da meta de 95%. Já entre os jovens 15-17, 80,6% estavam na etapa correta, alta em relação ao período pré-pandemia, porém aquém do objetivo de 85%.

Especialistas apontam fatores estruturais e culturais para o desinteresse. A professora Sílvia Colello, da USP, cita entrada precoce no mercado de trabalho, inclusive informal, como fator de evasão. Ela também critica a abordagem conteudista e defende escolas que convidem os alunos a lidar com informações e criar, conectando conteúdo às vidas deles.

Ainda segundo Colello, o modelo atual não resume a vida dos estudantes. “A escola precisa se aproximar do projeto de vida do aluno, ao invés de apenas preparar para o trabalho.” A docente sugere mudanças que incluam atividades práticas, debates e projetos para tornar o ambiente escolar mais relevante.

Novo ensino médio: impactos iniciais e desigualdades

O pesquisador Mozart Ramos, da USP, aponta que é cedo para avaliar plenamente o NEM. Ele afirma que a implementação ainda enfrenta dificuldades, mas observa que, para jovens de 15 a 17 anos, houve aumento na parcela que está na série adequada.

Dados de 2025 indicam 80,6% de jovens nessa faixa etária na série correta, ante 71,4% em 2019. Apesar do avanço, o indicador permanece 4,4 pontos percentuais abaixo da meta do PNE para 2024. Ramos destaca desigualdades raciais na permanência escolar: 84,9% de brancos versus 77,8% de pretos e pardos.

Silvia ressalta que o NEM tornou o ensino médio mais nebuloso para muitos alunos. Ela aponta que mudanças rápidas criaram confusão sobre o que a instituição oferece hoje e sugere agendas extracurriculares — esportes, artes, projetos sociais — para fomentar convivência, diálogo e colaboração.

Perspectivas para os próximos anos

Silvia reforça a importância de aproveitar melhor as novas tecnologias na educação. Ela diz que a escola precisa se alinhar ao mundo digital sem menosprezar a formação docente, destacando a experiência da pandemia como alerta sobre preparação.

Ramos afirma que modernizar a educação é essencial para atrair estudantes de volta às escolas. Ele defende oferta de ensino de qualidade com equidade e maior integração da inteligência artificial, para preparar alunos para o século 21 e reduzir o atraso educacional no Brasil.

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