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Mais vacas que alunos: fechamento em massa de escolas rurais no Quênia

No Quênia rural, a reforma educacional reduz matrículas e fecha escolas; Kaliluni, de mais de 200 alunos, hoje tem apenas cinco, levando estudantes a caminhar 8 km

Kaliluni Primary School has lost most of its pupils over the last three years
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  • Kaliluni Primary, no sul do Quênia, viveu manhã movimentada até três anos atrás, quando mais de duzentos alunos frequentavam; hoje apenas cinco alunos estudam lá e, no dia da visita, o professor único também estava ausente.
  • Maureen Mwisiwa, 12 anos, diz que tem ido à escola há uma semana e fica sozinha, indo embora sem aulas; a mãe pretende transferir a filha para outra escola a oito quilômetros de distância.
  • A mudança no currículo, chamada Educação Baseada em Competências (EBC), implementada em dois mil e dezessete, reduziu o ensino de sexto ano para o fim do ensino fundamental e criou o estágio intermediário de ensino secundário, aumentando a necessidade de infraestrutura em escolas rurais.
  • Com a transição, muitas escolas rurais ficaram sem salas, laboratórios e professores especializados, levando ao fechamento de escolas como Sooma Primary, em dois mil e vinte e três, com apenas alguns alunos remanescentes.
  • Especialistas alertam que fechar escolas pode provocar superlotação em instituições próximas e desorganizar o acesso igualitário à educação; defendem distribuição de professores e captação de recursos para sustentar o novo modelo.

O que houve

Em Kaliluni, uma escola primária no sul do Quênia, os cães substituíram os alunos em dia de visita. O local, que costumava abrigar mais de 200 estudantes, hoje tem apenas cinco alunos e o único professor presente não compareceu naquele dia.

Quem está envolvido

Maureen Mwisia, de 12 anos, comparece há uma semana e fica sozinha na instituição. A mãe, Josephine Muasya, planeja transferir a filha para outra escola, que fica a 8 km pela zona rural. O deslocamento é feito a pé devido à ausência de transporte público.

Quando e onde

A situação ocorre em Kaliluni Primary School, em Kitui County, a mais de 200 km de Nairobi. A visita aconteceu após relatos de queda drástica na matrícula nos últimos anos, em meio a mudanças no sistema educacional.

Por quê

A redução de alunos está ligada a uma reforma educacional iniciada em 2017, a Competency-Based Education (CBE). A mudança ampliou o ensino de séries intermediárias e reduziu o tamanho das turmas, exigindo mais recursos que muitas escolas rurais não têm.

Aprofundamento

Nas áreas rurais, escolas enfrentam carência de laboratórios, mais docentes e materiais didáticos para cumprir o novo currículo. Especialistas destacam que a infraestrutura insuficiente agrava a evasão e a migração de estudantes para escolas maiores.

Efeitos em outras escolas

Em Kitui, algumas instituições já fecharam as portas em anos anteriores, como Sooma Primary em 2023 e Manooni Primary no ano seguinte, com matrícula mínima. A saída dos alunos ocorreu sem cerimônias, apenas a transição para instituições com melhores recursos.

Desafios e críticas

Especialistas alertam que o fechamento de escolas pode aumentar superlotação em locais vizinhos e comprometer a qualidade do ensino. A implementação da CBE foi bem recebida, mas ainda enfrenta falhas de planejamento e financiamento.

Caminhos sugeridos

Profissionais defendem limitar o número de alunos por escola e distribuir melhor os docentes para viabilizar o novo modelo. O objetivo é garantir acesso equitativo a educação de qualidade, independentemente da localização.

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