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O último navio conhecido do comércio de escravos dos EUA

Restos da Clotilda, descoberta após quase cento e sessenta anos, reacendem a memória de Africatown e apontam para boom turístico e revitalização local

Zoey Goto (Credit: Zoey Goto)
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  • Em 9 de julho de 1860, a Clotilda entrou em Mobile Bay, foi incendiada para ocultar o crime e afundou no Mobile River com 110 vítimas africanas sequestradas.
  • Em maio de 2019, após buscas de várias organizações, foi oficialmente anunciada a descoberta do navio, considerado a última travessia de escravos conhecida nos EUA.
  • Darron Patterson, descendente da Clotilda e presidente da Clotilda Descendants Association, tem participado ativamente de relatos, filmes e documentários sobre a história.
  • Africatown, onde muitos sobreviventes se estabeleceram, está prevendo crescimento turístico com a Africatown Heritage House, dedicada à memória e à história, orçada em cerca de 1,3 milhão.
  • Autoridades e a comunidade veem a descoberta como impulso para revitalização local, com projetos de museu, pontes e passeios de barco turísticos que valorizam a memória histórica.

O surgimento dos restos do Clotilda, 160 anos após o naufrágio, reacende o interesse pela comunidade Africatown, criada pelos sobreviventes. Darron Patterson, presidente da Clotilda Descendants Association, descreve a descoberta como um marco para a história local.

A história envolve a última travessia de escravos até os Estados Unidos. Em 1860, Timothy Meaher desafiou autoridades ao organizar a viagem de africanos capturados, com William Foster no comando de uma escuna de 80 pés. O navio entrou em Mobile Bay na calada da noite em 9 de julho e foi incendiado para ocultar o crime.

A embarcação afundou no leito do Mobile River, ocultando-se entre pântanos. A localização foi confirmada após várias buscas envolvendo a Alabama Historical Commission, a National Geographic Society, a Search Inc e o Slave Wrecks Project. Em maio de 2019, o Clotilda foi oficialmente identificado.

Africatown: legado e virada de page

Hoje, Mobile caminha para um possível boom turístico ligado à história do Clotilda e aos 110 cativos trazidos, que ajudaram a fundar Africatown. Patterson percorre a região onde muitos descendentes se estabeleceram, observando infraestrutura degradada e potencial de revitalização.

Merceria Ludgood, autoridade local, destaca que a confirmação da existência do navio reforça o orgulho da comunidade e a necessidade de investimentos. Ela participa da criação da Africatown Heritage House, museu associado ao History Museum of Mobile, para preservar artefatos e fragmentos da embarcação.

Projetos e futuro

A Africatown Heritage House deve abrir no início de 2022, com galerias de artefatos africanos e peças recuperadas do naufrágio. A iniciativa visa oferecer visão detalhada sobre o que ficou conhecido como o último Passage Middle, com fontes diversas, incluindo diários e registros de embarcação.

Planos de infraestrutura incluem uma passarela conectando as áreas da comunidade separadas pela via, além de passeios marítimos que permitirão aproximação do sítio do naufrágio. A expectativa é atrair visitantes e impulsionar atividades locais, mantendo o foco na memória histórica.

Perspectivas para a comunidade

A presença do navio oferece motivação para o renascimento de Africatown. Autoridades locais veem a descoberta como oportunidade de desenvolvimento econômico e social, com participação de residentes na gestão de iniciativas culturais e turísticas. Patterson se mantém ativo na divulgação da história com produções audiovisuais.

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