- Em 2018, um veículo autônomo da Uber matou uma ciclista em Tempe, Arizona; a motorista assumiu o controle apenas 0,02 segundos antes do impacto, após o carro não frear a tempo.
- A investigação indicou que o sistema alternava entre reconhecer a pessoa/objeto, não freando com rapidez suficiente; a Uber disse ter overrideado o freio automático da Volvo para manter seu sistema.
- A polícia exame dados do carro, incluindo imagens da dashcam; vídeos mostraram que a motorista olhava para a perna esquerda pouco antes do acidente, enquanto o carro permanecia em modo autônomo.
- A Uber suspendeu os testes de carros autônomos no estado e, meses depois, demitiu quase 300 funcionários de suas operações em Tempe, encerrando a operação local.
- Vasquez, a motorista, enfrentou trauma e perseguição pública, enquanto os familiares de Herzberg receberam acordos financeiros; o caso alimentou o debate sobre a segurança dos veículos autônomos.
O acidente envolvendo um veículo autônomo da Uber ocorreu em Tempe, Arizona, em 2018, quando um carro Volvo com piloto humano assumiu controle em momento crucial. O atropelamento causou a morte de uma pedestre, Herzberg, após o veículo permanecer em modo autônomo por cerca de 19 minutos.
A motorista acionada pela Uber era Rafaela Vasquez. Ela contou aos investigadores que apenas olhava para o painel durante a maior parte do trajeto e assumiu o volante no instante anterior ao impacto, em uma área com sinalização de travessia nas proximidades. O veículo não freou de forma eficaz.
O veículo estava na rota Scottsdale loop, após sair da garagem da Uber, rodando pela região de Tempe Town Lake. O trajeto já havia sido percorrido por Vasquez cerca de 70 vezes. O equipamento incluía câmeras e sensores lidar, mas o sistema de detecção teve falhas na identificação do objeto.
A investigação revelou que o sistema de condução da Uber alterou a frenagem automática da Volvo por entender que o recurso atrapalharia sua própria lógica. O sistema reconheceu Herzberg como objeto, mas não executou uma manobra de evasão suficiente. A Uber declarou que a piloteira deveria intervir apenas perto do impacto.
Nos dias que seguiram, autoridades emitiram mandados para dados do carro e do celular da motorista. Vídeos do motorista no assento, bem como olhares para o console, foram reunidos para esclarecer a atenção da motorista no momento. A Uber participou do tratamento das gravações com a polícia durante as perícias.
Fatos-chave e investigação
Em audiência com autoridades, a Uber informou que o sistema não identificava Herzberg como pessoa em várias iterações, e que a frenagem pesada era acionada apenas se fosse possível evitar totalmente o choque. O fabricante Volvo também realizou testes mostrando que o freio automático poderia ter evitado o acidente em grande parte dos cenários.
A divulgação de imagens da dashcam provocou debate público sobre a regulação de testes de carros autônomos. A governança estadual suspendeu temporariamente a possibilidade de novos testes da Uber no estado, enquanto investigações continuavam. A empresa, por sua vez, passou a enfrentar questionamentos sobre práticas de segurança.
Com o andamento das apurações, Vasquez foi mantida sob prazo de defesa, e Uber forneceu suporte jurídico. A empresa também promoveu reestruturação interna, com planos alterados para serviços autônomos e demissões de funcionários na unidade de Tempe. O caso gerou discussões contínuas sobre responsabilidade civil e ética na condução autônoma.
O incidente mobilizou autoridades federais, incluindo a NTSB e o NHTSA, que acompanharam as investigações. Além das evidências técnicas, relatos sobre a vida pessoal de Vasquez foram trazidos à tona pela imprensa, gerando intenso escrutínio público sobre a motorista e o tema da identidade de gênero.
As consequências incluíram revisões de políticas internas da Uber, com foco em treinamento de operadores e em salvaguardas para reduzir riscos em operações de condução assistida. O episódio marcou uma inflexão na percepção pública sobre segurança e viabilidade de veículos autônomos.
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