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Aos 60 anos, piloto de teste da Autoesporte mostra o trabalho dos sonhos

Careca, piloto de testes da Autoesporte, descreve rotina rígida de quatro testes e os sacrifícios da profissão

Testes como este de um Fiat Siena 1.4, de 2020, são em pista fechada, com o ar desligado e todos os equipamentos de segurança necessários
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  • Alexandre Silvestre, o Careca, atua como piloto de testes da Autoesporte há dezoito anos, começando quase por acaso em 2005 durante uma missão de caçar segredos para a revista.
  • O aprendizado foi passando de mentor para ele: em 2009 passou a acompanhar testes com Hairton Ponciano Voz, que lhe ensinou técnicas, rotinas e preenchimento de resultados, até chegar a fazer os testes sozinho.
  • Os testes eram realizados no campo de provas da General Motors em Indaiatuba, interior de São Paulo, e depois na pista de Tatuí, hoje chamada Rota 127.
  • A rotina de teste é rigorosa e repetitiva: quatro provas — consumo, retomada, aceleração e frenagem — sempre nos mesmos pontos, horários e condições, com o ar condicionado desligado.
  • Entre os momentos tensos, ele lembra incidentes como o reparo de um câmbio em um Ford Focus automático e o pedal de freio torto em um JAC J3, sem nenhum acidente grave.

Alexandre Silvestre, o Careca, completa 60 anos da Autoesporte neste ano, com 18 deles dedicados à revista. O jornalista experiente virou piloto de testes por acaso e hoje traduz números com rigor técnico. O perfil faz parte de uma série sobre os 60 anos da marca.

A trajetória começou em 2005, quando Silvestre aceitouse dirigir um carro para “caçar um segredo”: o Honda New Civic. A missão foi acompanhada pelo fotógrafo Vadeco, em Sumaré, interior de São Paulo, em uma operação de surpresa para a época.

De motorista de apoio a piloto de testes foi um passo natural. Em 2009 passou a acompanhar testes com Hairton Ponciano Voz, que o ensinou técnicas, planilhas e o modo de registrar resultados com precisão.

Os testes da Autoesporte eram realizados no começo na GM em Indaiatuba. A entrada na pista exigia agilidade, com o motorista autorizando a entrada pela cancela e seguindo instruções de quem acompanhava as fotos.

Posteriormente houve uso da pista de Tatuí, hoje chamada Rota 127, onde a equipe realizava avaliações sob condições controladas. A mudança abriu novas dinâmicas para a rotina de testes.

A rotina de testes e metodologia

Quatro métricas são principais: consumo, retomada, aceleração e frenagem, sempre em sequência. O consumo é medido em pista e fora dela, com etanol 100% para carros flex ao explorar o urbano e o rodoviário.

Para a retomada há três testes de velocidades consecutivos, com médias de três execuções cada. A seguir, a aceleração inclui zero a 100 km/h e mil metros, repetidos várias vezes.

A frenagem envolve paradas a partir de 100, 80 e 60 km/h, com três repetições em cada cenário. Tudo ocorre nos mesmos pontos, horários e condições, com o ar condicionado desligado.

O equipamento VBox, com GPS, registra os números reais. O trabalho é solitário: o carro fica com o motorista, para não alterar o peso e o resultado.

Desafios e curiosidades

Uma das tarefas mais desafiadoras é o teste do porta-malas, que exige simular capacidade com centenas de tijolinhos de isopor. Em casos específicos, podem ser usadas caixas para medir volumes adicionais.

Entre episódios marcantes, houve o estouro de câmbio em um Ford Focus automático que derramou óleo na pista, e o pedal de freio de um JAC J3 que entortou durante a prova de frenagem.

Apesar das aparências glamorosas, Careca ressalta que o trabalho é técnico, repetitivo e meticuloso. O objetivo é assegurar que os dados dos carros sejam confiáveis e comparáveis entre modelos.

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