- O médico que atendeu Van Gogh, Paul Gachet, informou que ele havia se ferido sozinho e, dias depois, descreveu o ato como suicídio.
- O irmão de Van Gogh, Theo, também acreditava que o artista tinha feito aquilo por suicídio, e não por terceiros.
- Amigos próximos, como Emile Bernard, e outras testemunhas da época, costumavam referir-se ao suicídio como explicação aceita entre os presentes.
- A teoria de que Van Gogh foi assassinado (ou morto acidentalmente) ganhou força a partir de uma biografia publicada em 2011, além de inspirar filmes como Loving Vincent e At Eternity’s Gate.
- A arma associada ao caso foi encontrada na década de sessenta e leiloada em 2019; a natureza do ferimento e o contexto histórico continuam a sustentar a leitura de suicídio, embora haja dúvidas entre estudiosos.
Vincent van Gogh morrera em Auvers-sur-Oise, em julho de 1890, após levar um tiro. A hipótese mais aceita ao longo do tempo é a de suicídio, mas surgiram controvérsias sobre a possibilidade de homicídio. A discussão ganhou força com um livro de Naifeh e Smith em 2011.
A teoria de assassinato ganhou notoriedade em Van Gogh: The Life, que sustenta que o artista foi baleado por René Secrétan, um visitante de 16 anos, e morreu dois dias depois. A leitura baseia-se em uma entrevista de Secrétan de 1957.
Entre os que apoiam o suicídio, está o médico da época, Paul Gachet, que informou a Theo van Gogh que Vincent se feriu sozinho. Theo, por sua vez, escreveu que o irmão encontrou a paz após o ato. Amigos próximos também defenderam o suicídio.
A prática de alguns relatos de plateia reforça a tese de suicídio. Emile Bernard, amigo próximo, registrou que Van Gogh se matou durante passeio na zona rural. Gauguin, em memória, também indicou o suicídio em seus escritos. Documentos da época sugerem que a polícia tratou o ato como autolesão.
Há também relatos sobre a fé da época: a igreja local teria dificuldades com um funeral de suicida, o que levou a ajustes na cerimônia. A trajetória de Van Gogh nos meses finais, marcada por crises pessoais e profissionais, é citada como suporte à tese de que houve decisão de acabar com a vida.
Outro elemento é o histórico de tentativas de suicídio do artista, incluindo episódios de 1889, quando ele discutiu a ideia de suicídio com Theo e, posteriormente, buscou se recuperar. A pressão emocional, a saúde mental fragilizada e as questões familiares são apontadas como fatores contribuidores.
Quanto à versão de Secrétan, ele afirmou, em entrevista de 1957, não ter declarado ter atirado. A alegação de que ele deixou Auvers dias antes do ocorrido complica a credibilidade de um testemunho direto. A natureza da arma e a forma como foi encontrada também alimentam o debate.
A pistola de Lefaucheux associada ao caso foi exibida em leilão em 2019, levantando questões sobre o modo como o tiro ocorreu. A origem do objeto reforça a hipótese de abandono da arma, ainda que não descarte por completo a possibilidade de autoinfligido.
Contexto e evidências
As informações disponíveis apontam para um consenso entre familiares e amigos da época de que Van Gogh morreu por suicídio. Não há registros oficiais sobreviventes que contestem diretamente essa leitura. Forense moderna não reformulou de modo definitivo o veredito histórico.
Desdobramentos recentes
Pesquisas recentes destacam a importância de novas interpretações sobre o ferimento. A análise dos depoimentos, cartas e objetos históricos continua a moldar o debate, sem, porém, alterar substancialmente a conclusão mais suportada pela evidência histórica.
O estado da controvérsia
Apesar de o conjunto de fontes favorecer o suicídio, o debate persiste entre estudiosos e curadores. A narrativa predominante continua a apresentar Van Gogh como alguém que escolheu a morte, ainda que haja vozes que questionem esse ponto de vista.
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