- Série Vozes de Belém apresenta moradores impactados pela COP30, com minidocumentário e reportagens da jornalista Alice Martins Morais e do fotógrafo Matheus Melo.
- Na Ilha do Combu, Seu Nauá criou hospedagem ao lado do restaurante familiar para receber o aumento de visitantes próximo à COP, promovendo uma experiência da Amazônia.
- A artista Cely Feliz observa maior visibilidade da cultura amazônica em Belém, com mais convites e espaços de diálogo, e expressa preocupação com efeito passageiro.
- Dona Nena, conhecida pelo chocolate feito com cacau nativo da Ilha do Combu, ampliou a oferta turística, mantendo loja de fábrica e estande no Porto Futuro durante a COP30.
- O Mercado de São Brás recebeu reforma que preserva histórico, adiciona energia solar e ar-condicionado; Rosana Martins investe em organização, inglês e padronização do espaço.
A série Vozes de Belém, produzida pelo Um Só Planeta, ouviu moradores cuja vida foi impactada pela COP30 na cidade. Bairros, ilhas e rotas ribeirinhas foram mapeados para entender a Belém que já pulsava antes da conferência e o que mudou desde então.
As histórias conectam floresta, cidade, economia e cultura, defendendo a sociobiodiversidade como motor de desenvolvimento e a justiça climática como prática local.
Nos relatos, o cotidiano ganha dimensão histórica. Em Combu, o barqueiro Seu Nauá mostra como a ilha recebe mais visitantes com a proximidade da COP30, ampliando atividades como hospedagem familiar e passeios que valorizam a floresta e o rio.
A narrativa destaca a hospitalidade local e a busca por manejo sustentável do turismo.
Seu Nauá revela a rotina da Ilha do Combu
Diariamente, Nauá acorda antes do nascer do Sol e observa a maré guiar a vida na ilha. O furo do Combu abriga famílias que preservam tradições e terras sem venda. Com o aumento do fluxo turístico, ele investiu em duas casas de madeira para hospedar visitantes.
Para ele, a experiência na Amazônia é essencial: banhos no rio, degustação de açaí, cacau e cupuaçu. O objetivo é apresentar a Amazônia natural, sem formalidades rígidas, para quem chega buscando imersão ambiental.
Movimento Cultural e Cores da Amazônia
Artista local Cely Feliz observa a transformação estética de Belém com a COP30. Viadutos, estações de ônibus e áreas públicas passaram a ganhar grafites e temas regionais, em diálogo com a cultura amazônica e questões sociais locais.
Aos 26 anos de carreira, Cely destaca o aumento de convites e espaços para diálogo proporcionados pela conferência, ao mesmo tempo em que avalia a continuidade desses recursos para além do evento.
Chocolates, mercados e aprendizado local
Dona Nena, de Belém, tornou-se referência com chocolate feito com cacau nativo da Ilha do Combu. Durante a COP30, a loja da marca na ilha e o estande no Porto Futuro funcionaram com reforço de equipe para atender ao aumento de visitantes.
Nena aponta que o ciclo de visitação pode se ampliar, caso haja continuidade de investimentos públicos na cidade, como parques e infraestrutura turística. A ideia é manter o impulso após a COP30.
Mercado de São Brás e revitalização histórica
O Mercado de São Brás passou por rejuvenescimento de teto a piso, com inclusão de painéis solares, biodigestor e ar condicionado. A reforma preservou traços históricos do período da borracha, reforçando o legado econômico local.
Rosana Martins, vendedora do setor de ervas e artesanato, celebra a mudança e investe na organização do espaço. Ela também participou de cursos de qualificação durante a reforma, ampliando atuação para além da tradicional.
Impacto e perspectivas
As matérias da série Vozes de Belém ressaltam como a COP30 ajudou a evidenciar vocações locais e ampliar oportunidades de turismo, arte e comércio. A visão é de continuidade de investimentos que protejam a biodiversidade e fortaleçam a memória social da cidade.
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