- O tribunal de Dundee reconheceu assédio contra Sandie Peggie e rejeitou as acusações de discriminação, vitimização e contra a médica Beth Upton; o incidente ocorreu em 24 de dezembro de 2023 no Victoria hospital, em Kirkcaldy.
- A decisão, com 312 páginas, detalha prazos e respostas da NHS Fife e aponta atrasos na investigação das alegações de cuidado ao paciente.
- O tribunal concluiu que a NHS Fife assediou Peggie ao não revogar, de forma provisional, a permissão de Upton para usar o vestiário feminino até que as mudanças de turnos fossem implementadas.
- Peggie afirmou estar “aliviada e satisfeita” com a conclusão de assédio e aguarda uma resposta mais detalhada, prevista para esta semana.
- O veredito ocorre no contexto da controvérsia sobre a interpretação da decisão de abril da Suprema Corte sobre “mulher” e “sexo” no Equality Act e gerou reações de grupos pró e contra direitos trans.
Sandie Peggie ganhou parte de uma ação trabalhista contra o NHS Fife, na Escócia, relacionada a assédio. A decisão, de 312 páginas, foi publicada nesta segunda-feira após os procedimentos no tribunal de Dundee. O caso envolve o uso de vestiários por uma médica trans.
A reclamante alegou assédio sob a Lei de Igualdade de 2010 por ter de compartilhar o vestuário feminino com a médica Drª Beth Upton. Peggie também pediu reparos por danos morais e discriminação, citando tratamento por uma crença protegida e vítima. O processo teve duas fases de coleta de provas, em fevereiro e julho.
No entanto, o tribunal rejeitou as acusações de discriminação, vitimização e contra a médica, mantendo apenas a acusação de assédio contra o NHS Fife. A decisão também encerrou a acusação contra Upton, mantendo as demais alegações sem respaldo.
Detalhes da decisão e desdobramentos
O juiz Sandy Kemp explicou que a decisão não determina mudanças automáticas após a orientação de abril da Suprema Corte sobre sexo biológico no Equality Act. A sentença aponta que pode haver situações em que permitir o uso de vestiário por uma pessoa trans seja lícito, dependendo das circunstâncias.
O veredito aponta que o NHS Fife demorou a agir de forma adequada após a queixa inicial, e que houve atraso na investigação de alegações sobre cuidado ao paciente. A instituição reconhece o impacto do caso e afirmou que continuará buscando um ambiente de trabalho inclusivo.
A advogada de Peggie descreveu a decisão como uma vitória significativa para a titular dos direitos com base no sexo biológico. Já a defesa e grupos contrários à interpretação ambígua do tema destacaram a necessidade de clareza para políticas internas nas empresas.
O NHS Fife informou que o processo envolveu custos de defesa superiores a 220 mil libras e que a avaliação completa da sentença levará tempo. A organização reiterou o compromisso com um ambiente de trabalho justo para funcionários e pacientes.
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