Em Alta Copa do Mundo NotíciasAcontecimentos internacionaisPessoasPolíticaConflitos

Converse com o Telinha

Telinha
Oi! Posso responder perguntas apenas com base nesta matéria. O que você quer saber?

Redpill, ressentimento e feminicídio: estudo sobre violência de gênero

Feminicídio duplo no CEFET-RJ evidencia misoginia estrutural alimentada por redes online e movimentos antifeministas, ampliando impunidade simbólica

Photo
0:00
Carregando...
0:00
  • Casos amplamente divulgados mostram misoginia estruturada, como o do influenciador conhecido como “Calvo do Campari”, denunciado por violência doméstica.
  • Foi identificado um feminicídio duplo no CEFET-RJ no final de novembro de 2025, cometido por um servidor da instituição.
  • Comunidades online redpill e antifeministas fortalecem discursos hostis contra mulheres, criando ambiente de impunidade simbólica.
  • A internet amplifica trajetórias de controle e violência contra mulheres, conectando discurso online a ações no mundo real.
  • Pesquisadores destacam que a misoginia é estruturante e que o ódio às mulheres é usado como instrumento político para mobilizar homens.

Casos amplamente divulgados como o “Calvo do Campari” e o feminicídio envolvendo servidor do CEFET-RJ já sinalizavam a evolução da misoginia estrutural no Brasil. A violência contra mulheres, impulsionada por discursos online, ganhava notoriedade e levantava debates sobre normalização nas redes.

Casos recentes reforçam esse cenário: a brutalidade aumentou, com o duplo feminicídio no CEFET-RJ identificado em novembro de 2025. Comunidades online associadas a visões redpill e movimentos antifeministas fortalecem a sensação de impunidade simbólica.

O padrão observado envolve homens que, segundo análises, tentam afirmar poder por meio de controle e humilhação contra mulheres. O movimento redpill é apontado como ambiente que dissemina a ideia de masculinidade ameaçada, legitimando violência como resposta a supostas transgressões femininas.

A escalada se sustenta na circulação de discursos de ódio nas redes. Grupos de homens que se reconhecem prejudicados por avanços femininos constroem redes de apoio, oferecendo linguagem, validação e instruções para condutas agressivas, inclusive contra mulheres.

A pesquisadora Eva Blay aponta que feminicídios decorrem de trajetórias de controle sobre os corpos femininos, não de explosões isoladas de violência. A internet amplifica essas trajetórias, moldando comunidades que reforçam ciúme, posse e vigilância.

A filósofa Marcia Tiburi descreve o ódio às mulheres como instrumento político, usado para mobilizar homens em torno de uma virilidade ressentida. Narrativas de virilidade substituem diálogos democráticos e ajudam a sustentar ataques coordenados.

Casos recentes ilustram uma relação entre o digital e o mundo real: conteúdos misóginos online organizam comunidades que, posteriormente, promovem violências físicas e psicológicas. A internet funciona como plataforma de incubação dessa violência.

Essa articulação entre cultura, tecnologia e práticas cotidianas não implica apenas em indivíduos violentos, mas em um regime de gênero que normaliza o domínio masculino. Compreender esse mecanismo é essencial para enfrentar o ciclo de violência contra mulheres.

Comentários 0

Entre na conversa da comunidade

Os comentários não representam a opinião do Portal Tela; a responsabilidade é do autor da mensagem. Conecte-se para comentar

Veja Mais