- O livro A Noble Madness: The Dark Side of Collecting From Antiquity to Now, de James Delbourgo, analisa o lado sombrio da coleta de arte ao longo da história e como a imagem dos colecionadores evoluiu.
- O autor sustenta que, sob a aparência de razão, os colecionadores podem ser febris, voláteis e distorcidos, diferenças que vão desde o saque da antiguidade até o acúmulo de relíquias na idade moderna.
- O texto acompanha episódios-chave, como o governador romano Gaius Verres e o cardeal Alberto de Brandenburg, mostrando como interesses de poder e fé moldaram coleções.
- O estudo percorre mudanças de hábitos de coleta, desde monstros sagrados da Renascença até os colecionadores Czar Rudolf II e ligações com conhecimento esotérico e beleza estética.
- O livro também aborda figuras literárias de colecionadores decadentes (Cousin Pons, O Antiquário, Dorian Gray), além de destacar mulheres colecionadoras do século XX, como Gertrude Stein e Peggy Guggenheim, e menciona a ausência de entrevistas com bilionários contemporâneos; a edição foi publicada pela Quercus, com 320 páginas, em 12 de agosto, por £25.00.
A Noble Madness: The Dark Side of Collecting From Antiquity to Now, de James Delbourgo, é uma obra que investiga a dualidade da coleção de arte ao longo da história. A análise parte da ideia de que o apego por objetos pode esconder impulsos menos nobres, ligados à ganância.
O livro, de origem britânica com atuação nos EUA, questiona a imagem civilizada dos grandes colecionadores. Delbourgo sustenta que por trás da racionalidade há traços de febrição, volatilidade e distorção de valores.
O autor abre com o caso de Gaius Verres, governador romano, acusado de saques no Mediterrâneo. Verres não era um colecionador, mas um ladrão compulsivo, segundo a narrativa.
Contexto histórico
Cardeis e governantes da Idade Moderna são apresentados como exemplos de hábitos de colecionismo que evoluem com o tempo. Albrecht de Brandenburg acumulou relíquias na crença de reduzir o tempo no purgatório.
Rudolf II, célebre arcabouço de Habsburgo, substituiu a austeridade religiosa por objetos ligados à ciência, misticismo e estética. Delbourgo sugere que esse tipo de colecionador pressagia a ideia moderna de fuga da realidade.
Perspectivas literárias e modernas
A obra também analisa colecionadores fictícios, que apresentam traços éticos mais marcantes que alguns colecionadores reais. Näo é destacada apenas a história antiga, mas também a ficção como espelho de valores.
Casos do século XIX e XX aparecem como marcos de uma narrativa que envolve desejos de poder cultural e domínio sobre patrimônios de outras regiões do mundo.
Foco em mulheres e lacunas
Duas figuras centrais do século XX aparecem com ênfase: Gertrude Stein e Peggy Guggenheim, que apoiaram a arte moderna em uma era ainda dominada por homens. A obra discute o impacto de esse movimento na prática coletiva atual.
Delbourgo evita entrevistas com bilionários contemporâneos, o que, segundo ele, reforça o distanciamento entre a história e o mercado atual da arte.
Detalhes da publicação
A Noble Madness: The Dark Side of Collecting From Antiquity to Now foi lançada pela editora Quercus, tem 320 páginas e ilustrações ao longo do texto. O lançamento ocorreu em 12 de agosto.
Tobias Grey assina como autor de crítica, destacando a obra no cenário de arte, cinema e literatura. O livro propõe uma leitura global sobre a prática de colecionar, sem embargos éticos explícitos.
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