- Três designers nordestinos são apresentados como parte de um movimento que reconhece o design contemporâneo no Nordeste, não como artesanato, mas como produção de mobiliário autoral.
- Giovanna Arruda, de Surubim (Pernambuco), vive em Aracaju (Sergipe) e trabalha com fibras naturais e técnicas tradicionais, conectando arquitetura, memória e mão de obra feminina.
- Érico Gondim, Cearense de Fortaleza, atua com estúdio galeria e desenvolve mobiliário autoral, projetos industriais e artes, re-significando técnicas locais.
- Caio Lobo, de Garanhuns (Pernambuco) e hoje no Recife, começou em 2012 com a poltrona Vazio; seus móveis misturam tradição artesanal e linguagem conceitual, refletindo paisagens e vida cotidiana.
Durante décadas, o design do Nordeste foi visto como artesanato, não como prática conceitual. A visão atrasada ofuscou decisões de forma, função e material, freando o reconhecimento da produção regional como design contemporâneo.
Hoje, três designers nordestinos reconfiguram o cenário: Giovanna Arruda, Érico Gondim e Caio Lobo. Suas trajetórias mostraram que o território inspira peças autorais que dialogam com o presente e apontam para o futuro.
Giovanna Arruda Conceição, Gio Arruda, 29 anos, nasceu em Surubim (PE) e vive em Aracaju (SE). Origem na arquitetura se traduz em mobiliário que une memória, fibras naturais e técnicas tradicionais como palha de oricuri e taboa.
O trabalho de Gio parte de geometrias simples, com matérias vivas e processos coletivos, em maioria conduzidos por mulheres. Ela afirma que o lugar de onde veio moldou seu trabalho e seu modo de atuar.
Ao projetar o futuro, Gio defende um design nordestino reconhecido como design brasileiro contemporâneo, potente e conectado ao território, sem restringi-lo a uma identidade regional.
Érico Gondim, cearense de Fortaleza, atua com estúdio-galeria que desenvolve peças autorais, artesanato, projetos industriais e trabalhos em arte contemporânea. Sua formação incluiu design pelo Instituto Dragão do Mar.
A prática de Érico valoriza a memória de objetos, a cultura local e a fibra natural. Sua linguagem reúne arte popular, folclore, arquitetura colonial e técnicas regionais, buscando produção plural e itinerante.
Para ele, o design nordestino ganha força ao assumir sua identidade, narrar suas histórias e evidenciar a potência criativa local, sem copiar modelos externos.
Caio Lobo, pernambucano de Garanhuns, hoje vive no Recife. Formou-se em Administração, mas descobriu no mobiliário uma expressão pessoal marcada por memória, cotidiano e caráter conceitual.
Caio associa o design à vida em família, ao artesanato e à decoração, criando peças como a poltrona Vazio e a Paêbirú, que refletem paisagens, ritmos e observações do dia a dia.
Seu processo mistura experimentação manual com rigor de projeto, unindo o popular ao contemporâneo. Acredita que o Nordeste vive um momento promissor pela autenticidade.
Ao acompanhar essas trajetórias, fica claro que o design nordestino não precisa de permissão para existir. Ele se afirma por experiências reais, técnica consistente e diálogo honesto com o território.
A resposta coletiva é a ampliação do repertório do design brasileiro, com materiais e narrativas diversas, que resistem a rótulos e fortalecem a produção regional como parte integrante do movimento nacional.
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