- A turnê internacional de Noah Davis chega ao Philadelphia Art Museum, fechando a última etapa de uma mostra que já passou por Potsdam, Alemanha, e outras cidades.
- A exposição em Philadelphia apresenta sessenta obras, destacando Davis como colorista criativo, contador de histórias habilidoso e artista com forte leitura de história da arte e política.
- A trajetória internacional trouxe marcos: primeira retrospectiva europeia na Alemanha, estreia no Barbican (Reino Unido) e primeira mostra na Costa Leste dos EUA; Davis morreu aos 32 anos, em 2015, sem ter passado por um museu.
- Em leilão recente, a obra The Casting Call (2008) foi vendida por cerca de $ 2 milhões na Sotheby’s, superando a estimativa inicial.
- Davis fundou o Underground Museum, em Los Angeles, com a esposa, buscando oferecer à comunidade refúgio, educação, compartilhamento e lazer.
A exposição itinerante sobre Noah Davis, artista americano falecido aos 32 anos, chega à sua última etapa no Philadelphia Museum of Art. A mostra encerra uma pesquisa internacional que já passou por Das Minsk (Potsdam), Barbican (Londres) e Hammer Museum (Los Angeles). Ao todo, são 60 obras de um total de 400 produzidas pelo artista.
A mostra ganhou destaque pela capacidade de equilibrar relevância social e independência artística. Davis é reconhecido como um pintor de cores expressivas e contadores de histórias ágeis, que empregam referências de história da arte e leitura política com fluidez.
A curadoria ressalta a ausência de registros de uma retrospectiva institucional durante a vida de Davis, que teve participação limitada em museus e galerias comerciais durante o período anterior à sua morte, em 2015, por câncer. A turnê internacional busca ampliar o alcance de sua obra entre públicos variados.
O impacto de Davis no mercado de arte também se evidencia em leilões: em novembro, a pintura The Casting Call (2008) foi vendida por US$ 2 milhões na Sotheby’s, dobrando a estimativa inicial e superando o recorde do artista em 33%. A obra exemplifica a atração crescente em torno de seu trabalho.
Segundo a curadora Eleanor Nairne, as obras de Davis privilegiam o “mostre, não conte”, evitando mensagens didáticas fixas. As peças são descritas como abertas e multifacetadas, convidando a interpretações diversas sem definir um único significado.
A história de Davis inclui a fundação do Underground Museum, em Los Angeles, criado com a esposa Karon. O espaço funciona como biblioteca, galeria, casa de shows e cinema, visando oferecer refúgio, educação, compartilhamento e tranquilidade à comunidade, mesmo sem possuir o imóvel.
Nairne destaca ainda o compromisso cívico do artista, que buscou registrar momentos do cotidiano da vida negra com significado permanente, transformando o cotidiano em objeto de contemplação artística e reflexão pública.
No fim, a exposição no Philadelphia Museum of Art percorre a trajetória de Davis como pintor colorista e contador de histórias, ao mesmo tempo em que exibe sua relevância social e o potencial democrático da sua prática. A mostra fica em cartaz de 24 de janeiro a 26 de abril.
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