- A revisão interna da BBC aponta que mulheres mais velhas sumiram de papéis de apresentadoras, enquanto homens mais velhos são vistos como ganhando gravidade e autoridade.
- Dados mostram desequilíbrio entre apresentadores com mais de sessenta anos: 237 mulheres contra 394 homens; no conteúdo da BBC, há quase quatro vezes mais homens acima de sessenta do que mulheres; na BBC News, 31 homens e 16 mulheres acima de cinquenta.
- Na divisão de países e regiões, a diferença entre homens e mulheres acima de sessenta anos fica entre três e quatro vezes maior a favor dos homens; entre os com mais de setenta, são 57 homens e 11 mulheres.
- O relatório, encomendado pelo conselho da BBC e elaborado por Anne Morrison e Chris Banatvala, não encontrou evidence de discriminação sistêmica, mas aponta que mulheres podem migrar para áudio com a idade ou ser forçadas a usar personas idiossincráticas.
- A imprensa, política e entidades cobrem o tema: Harriet Harman pede análise pelo Ofcom; a BBC diz que há avanços na representação, e pretende melhorar medidas de igualdade por faixa etária, origem econômica e geográfica.
O BBC encomendou uma auditoria interna sobre a representatividade em seu conteúdo e encontrou um desequilíbrio entre apresentadores homens e mulheres com mais de 60 anos. O levantamento aponta que mulheres acima dessa faixa sumiram das posições de apresentação, enquanto homens ganham gravidade e autoridade na tela.
O estudo analisou quase 1.500 contratados diretos e freelancers, em várias divisões. Entre apresentadores com mais de 50 anos, mulheres são menos numerosas que homens, com 237 mulheres contra 394 homens. Na soma, há quase quatro vezes mais homens com mais de 60 na área de conteúdo.
Na BBC News, 31 apresentadores homens têm mais de 60, frente a 16 mulheres. Na divisão de nações e regiões, a diferença fica entre três e quatro vezes mais homens. A diferença é ainda mais acentuada entre pessoas com mais de 70 anos: 57 homens contra 11 mulheres.
O relatório foi elaborado por Anne Morrison, ex-presidente da Bafta, e pelo consultor independente Chris Banatvala, a pedido do conselho da BBC. Ele aponta que, com o envelhecimento, homens costumam ser retratados como ganhando gravitas e autoridade.
Autores destacam que, para as mulheres, a idade tende a exigir mudanças como redução de foco na aparência ou afastamento da TV, caso não haja adaptação de papel. Não houve, segundo o documento, evidência de discriminação sistêmica.
Alguns comentaristas apontam impactos culturais: há quem defenda que mulheres enfrentam dupla barreira de idade e gênero. Representantes do Parlamento e ex-apresentadoras mencionaram casos históricos e lembraram disputas trabalhistas recentes envolvendo discriminação de idade.
O relatório também indica que ainda faltam apresentadoras especialistas, sobretudo em grandes programas. Em condução, o BBC Ten O’Clock News e o Today tiveram razões de apenas pouco mais de duas entrevistas por cada mulher especialista.
Executivos do BBC reconhecem avanços no retrato do país, mas mantêm o objetivo de ampliar a diversidade. A organização afirma que planeja medir melhor a representatividade por origens socioeconômicas, geografia e idade, buscando referência mais fiel da audiência.
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