- Ao menos dez pessoas foram encontradas mortas ao ar livre em Nova York durante a onda de frio intenso que se estendeu por janeiro.
- Um morador sem-teto conhecido como “Uncle” recusou abrigo por temer ser atacado; o caso ilustra as barreiras para buscar proteção.
- Em uma única noite de janeiro de 2025, havia mais de quatro mil e quinhentas pessoas sem abrigo na cidade, número que aumentou em relação a anos anteriores.
- A principal dificuldade é a falta de moradias acessíveis, conforme especialistas, apesar de haver espaço em abrigos — o desafio está em abrigos “seguro” e de baixo obstáculo.
- Dados mostram que, entre 2018 e 2022, a cidade registrou média de cerca de trinta mortes por frio por ano, com variações nos anos anteriores.
O frio intenso no noreste dos Estados Unidos deixou ao menos 10 pessoas mortas em Nova York, em meio a uma semana de temperaturas extremamente baixas. A cidade enfrenta queda de temperatura que se estende até fevereiro, agravando o risco para pessoas em situação de rua.
A Coalition for the Homeless relata que, durante o temporal, múltiplos desabrigados desapareceram de locais onde recebiam auxílio. Voluntários atendem vans que percorrem áreas de Manhattan, oferecendo abrigo, roupas e alimentação, mas nem todos aceitam.
Entre os desabrigados, destaca-se a figura de um homem idoso, conhecido como “Uncle”, que costumava receber a janta da organização. Ele recusava abrigamento por temores de violência e só aceitava calçados com marcas de uso para evitar furtos.
No total, oito homens e duas mulheres morreram recentemente em condições associadas ao frio. Autoridades apontam que vários casos envolvem pessoas que recusaram ou tiveram dificuldade de acesso a abrigos, por razões de segurança ou traumas anteriores no sistema.
Dados das autoridades mostram que Nova York tem, em média, 30 mortes por frio entre 2018 e 2022, com queda histórica de desabrigados, se compararmos com anos anteriores. Em janeiro de 2025, mais de 4.500 pessoas estavam sem abrigo em uma única noite.
Contexto dos abrigos e da falta de moradia
A liderança da Coalition indica que há disponibilidade de vagas em abrigos, conforme a lei estadual do direito ao abrigo, mas existem moradias de menor barreira, com regras mais flexíveis, que costumam atender quem tem dificuldades para navegar no sistema.
Segundo a organização, a principal dificuldade é a escassez de moradias acessíveis. Pessoas acampadas em estações, parques ou ruas costumam ser removidas pela polícia ou encaminhadas a hospitais, retornando às ruas pouco depois por falta de alternativas estáveis.
Durante a tempestade, a Coalition mobiliza três vans por noite para encaminhar moradores a abrigos ou centros de aquecimento, além de distribuir cobertores, roupas e alimento. Em alguns casos, há opções de aquecer-se em ônibus.
Casos relatados e desdobramentos locais
Entre os óbitos recentes estão um homem de 60 anos encontrado fora do hospital St Barnabas, no Bronx, e uma mulher de 90 anos com demência que foi encontrada morta em um quintal de Crown Heights. As autoridades não divulgaram nomes nesse momento.
O prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, afirmou em coletiva que várias das vítimas estavam ligadas ao Departamento de Serviços para Pessoas Desabrigadas. A cidade permanece em alerta de frio extremo até, pelo menos, 7 de fevereiro.
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